Ministério Público denuncia empresário da Ultrafarma por esquema milionário de benefícios fiscais
Investigação aponta pagamento de vantagens indevidas a auditores para agilizar ressarcimentos tributários
Foto: Leonardo Rodrigues O empresário Sidney Oliveira, fundador da rede Ultrafarma, foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo sob a acusação de corrupção ativa. A denúncia detalha a participação do empresário em um esquema que envolvia o pagamento de propinas a auditores fiscais da Secretaria da Fazenda de São Paulo para facilitar a liberação de créditos tributários. Segundo as investigações, o grupo criminoso teria movimentado valores que alcançam a cifra de R$ 1 bilhão em vantagens ilícitas.
Dinâmica do esquema e agilidade nos pagamentos
De acordo com os promotores do Grupo Especial de Combate aos Crimes Econômicos (Gedec), o procedimento para restituição de créditos de ICMS costuma ser complexo e moroso, podendo levar anos para ser concluído. No entanto, para as empresas envolvidas no esquema, os ressarcimentos eram autorizados com rapidez incomum. A acusação sustenta que servidores públicos criavam dificuldades burocráticas para vender facilidades, inflando os valores que seriam devolvidos às companhias em troca de pagamentos em espécie.
Identificação de operadores e codinomes
As provas colhidas, que incluem mensagens de texto e e-mails, revelaram a existência de uma hierarquia e o uso de apelidos entre os investigados. Um dos auditores fiscais era tratado pelo empresário como "King", sendo apontado como o articulador central da engrenagem no Palácio Clóvis Ribeiro, sede da Receita estadual. Outro envolvido era identificado como "Americano" por residir nos Estados Unidos, onde possui um imóvel de alto padrão.
A logística para a entrega do dinheiro contava com o auxílio de funcionários de confiança. Uma assistente pessoal do fundador da rede farmacêutica também foi denunciada por organizar a entrega dos valores aos agentes públicos. As mensagens interceptadas demonstram encontros frequentes para tratar da manutenção de benefícios fiscais concedidos de forma irregular.
Histórico recente e desdobramentos judiciais
O fundador da Ultrafarma chegou a ter a prisão temporária decretada em agosto de 2025, durante a deflagração da Operação Ícaro. Na ocasião, a Justiça determinou o pagamento de uma fiança de R$ 25 milhões para a sua soltura. Posteriormente, a exigência do valor foi suspensa por meio de uma decisão judicial que concedeu um habeas corpus.
Atualmente, o Ministério Público continua a analisar documentos e dispositivos eletrônicos apreendidos para identificar se o prejuízo aos cofres públicos é ainda superior ao estimado inicialmente. Um dos ex-auditores envolvidos, que teve a prisão preventiva decretada, permanece foragido e teve seu nome incluído na lista da Interpol.
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