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Joinville,06/02/2026

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Karsten no Paraguai expõe o esgotamento do modelo econômico brasileiro

A decisão da tradicional indústria têxtil de produzir fora do país escancara o peso do Custo Brasil e o avanço silencioso da migração de empresas nacionais para economias mais competitivas da América do Sul

Fonte: redação360
Karsten no Paraguai expõe o esgotamento do modelo econômico brasileiro Divulgação

A decisão da Karsten, uma das mais tradicionais indústrias têxteis do Brasil, de inaugurar sua primeira fábrica fora do país, no Paraguai, vai muito além de um simples movimento de expansão empresarial. Ela funciona como um termômetro incômodo da economia brasileira e expõe, com nitidez, os limites estruturais que empurram empresas nacionais para fora de suas fronteiras.

Fundada em 1882, em Blumenau, Santa Catarina, a Karsten construiu sua história ancorada na indústria brasileira, atravessando guerras, crises cambiais, hiperinflação e planos econômicos. Justamente por isso, sua decisão de instalar uma unidade fabril em Minga Guazú, no Paraguai, tem peso simbólico. Não se trata de uma startup em busca de vantagens oportunistas, mas de uma empresa centenária que conhece profundamente o custo de produzir no Brasil e, agora, escolhe reduzir sua dependência desse ambiente.

A nova fábrica, com foco inicial na produção de itens de banho, nasce sob uma lógica cada vez mais comum entre empresas brasileiras: fugir do chamado “Custo Brasil”. Impostos elevados, complexidade tributária, insegurança jurídica, encargos trabalhistas rígidos e energia cara formam um conjunto de obstáculos que corroem margens e desestimulam investimentos produtivos de longo prazo.




Enquanto isso, o Paraguai oferece o oposto: um sistema tributário simples, com imposto de renda corporativo em torno de 10%, energia elétrica abundante e barata, legislação trabalhista mais flexível e políticas claras de atração industrial. Não é coincidência que o país tenha se transformado, silenciosamente, em um polo receptor de indústrias brasileiras dos setores têxtil, metalmecânico, plástico, automotivo e alimentício.

O movimento da Karsten não é isolado. Ele se soma a uma migração empresarial contínua, que revela um paradoxo preocupante: o Brasil, maior economia da América Latina, segue perdendo competitividade justamente por incapacidade de realizar reformas estruturais profundas. Discute-se crescimento, mas penaliza-se quem produz. Fala-se em reindustrialização, mas mantém-se um ambiente hostil à indústria.

No discurso oficial, o empresário é frequentemente tratado como parte do problema. Na prática, é ele quem sustenta empregos, inovação e arrecadação. Quando empresas como a Karsten decidem produzir fora, não estão “abandonando o Brasil”, mas tentando sobreviver em um cenário econômico cada vez mais adverso.

A nova fábrica no Paraguai não significa fechamento de portas no Brasil, mas é um alerta claro: o capital não tem pátria, tem cálculo. E enquanto o Brasil insistir em um modelo econômico pesado, burocrático e imprevisível, seguirá assistindo, quase com naturalidade, à saída silenciosa de indústrias que ajudaram a construir sua própria história econômica.








No fim, a pergunta que fica não é por que a Karsten foi para o Paraguai, mas por que o Brasil continua tornando essa decisão tão óbvia.

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