Prof. João Réus Santos
O legado inabalável de Jair Bolsonaro: uma prisão política e o despertar de uma nação
Em um momento sombrio para a democracia brasileira, a prisão de Jair Bolsonaro, ocorrida em circunstâncias controversas, não pode ser vista como um ato de justiça imparcial, mas sim como uma manobra política orquestrada para silenciar uma voz que desafiou o establishment. É lamentável, especialmente para sua família, que agora enfrenta a angústia de ver um ente querido atrás das grades não por crimes comprovados, mas por ter ousado enfrentar um sistema viciado em corrupção e privilégios. Bolsonaro, um homem que dedicou sua vida à defesa da família tradicional, da liberdade e de valores conservadores, deixa um legado que ninguém conseguirá apagar. Historicamente, o Brasil pode ser dividido em duas eras: antes e depois do fenômeno Bolsonaro. Ele não apenas politizou uma sociedade adormecida, mas deu identidade, voz e consciência a milhões de brasileiros que, até então, viviam à margem do debate público.
A trajetória de luta em favor da família
Jair Messias Bolsonaro nasceu em 1955, em Glicério, no interior de São Paulo, e desde cedo demonstrou uma inclinação para a disciplina e o patriotismo, influenciado por sua formação militar no Exército Brasileiro. Sua entrada na política, no entanto, foi marcada por uma defesa ferrenha da família como pilar da sociedade. Como capitão reformado, Bolsonaro sempre se posicionou contra agendas que, em sua visão, ameaçavam os valores tradicionais, como o casamento entre homem e mulher, a proteção à vida desde a concepção e a educação moral das crianças. Sua luta não era mera retórica; era uma bandeira pessoal, inspirada em sua própria família. Casado com Michelle Bolsonaro e pai de cinco filhos, ele exemplificava o modelo que defendia.
Mas o exemplo de Bolsonaro vai além de seu atual casamento. Ao longo da vida, ele construiu uma família extensa e harmoniosa mesmo após as separações. Com Rogéria Nantes Braga, mãe de Flávio, Carlos e Eduardo, com quem foi casado por mais de 20 anos, mantém até hoje uma relação de amizade, respeito e convivência familiar pacífica, como demonstrado em eventos públicos e na presença constante dela em momentos importantes da vida dos filhos e netos. Da mesma forma, com Ana Cristina Valle, mãe de Jair Renan, a separação ocorreu de forma amigável e, ao longo dos anos, ambos preservaram um diálogo cordial e cooperativo em prol do filho, com demonstrações públicas de apoio mútuo em situações delicadas. Essa postura madura e respeitosa com as mães de seus filhos reforça, na prática, o compromisso de Bolsonaro com a família como valor inegociável, mostrando que responsabilidade paterna e harmonia familiar podem, e devem, perdurar mesmo após o fim dos casamentos.
Ao longo de sua carreira, Bolsonaro enfrentou críticas e isolamento por suas posições conservadoras, mas nunca recuou. Ele via a família não como uma instituição obsoleta, mas como o alicerce para uma nação forte e moralmente íntegra. Em discursos e projetos de lei, combatia o que chamava de “ideologia de gênero” e promovia políticas que incentivassem a natalidade e o apoio às famílias de baixa renda. Essa dedicação rendeu-lhe o apelido de “pai da pátria” entre seus apoiadores, que viam nele um defensor incansável contra forças que, segundo eles, buscavam desestruturar a sociedade brasileira.
A luta solitária no parlamento: do baixo clero ao protagonismo
Bolsonaro ingressou na política em 1988, como vereador no Rio de Janeiro, e logo em 1990 foi eleito deputado federal, cargo que ocupou por sete mandatos consecutivos até 2018. Durante décadas, ele foi um deputado do “baixo clero”, aqueles parlamentares sem cargos de liderança, sem alianças poderosas e com pouca visibilidade midiática. Sua luta era solitária em um Congresso dominado por coalizões e negociações obscuras. Bolsonaro destacava-se por suas denúncias isoladas contra a corrupção, o desperdício de recursos públicos e o que via como excessos do politicamente correto.
Enquanto o Brasil afundava em escândalos como o Mensalão, em 2005, e a Operação Lava Jato, a partir de 2014, revelando um sistema político corroído, Bolsonaro mantinha-se firme em suas convicções. Ele votava contra aumentos salariais para parlamentares, defendia a redução de privilégios e criticava abertamente o que chamava de “velha política”. Sua voz ecoava em plenários vazios, mas ganhava força nas redes sociais emergentes. Essa persistência solitária o transformou em um símbolo de resistência para muitos que se sentiam representados por alguém que não se curvava ao sistema.
Crescimento político em um país envolto em corrupção e desesperança
O crescimento político de Bolsonaro ocorreu em um cenário desolador. O Brasil dos anos 2010 era um país mergulhado em corrupção sistêmica, com instituições abaladas pela impunidade e uma economia estagnada após a recessão de 2014 a 2016. A sociedade estava perdida, sem esperança, com desemprego recorde, violência urbana e uma classe política desacreditada. Foi nesse vácuo que Bolsonaro emergiu, não como um político tradicional, mas como um outsider que falava a linguagem do povo.
Sua campanha presidencial em 2018 foi um fenômeno orgânico, impulsionada pelas redes sociais e pelo boca a boca. O atentado a faca durante a campanha, em setembro de 2018, apenas ampliou sua aura de mártir. Eleito com 55% dos votos válidos, Bolsonaro representava a rejeição ao petismo e ao centrão corrupto. Seu crescimento foi exponencial: de um deputado marginalizado, tornou-se presidente, prometendo liberalismo econômico, com Paulo Guedes à frente da economia, combate à corrupção e restauração da ordem. Medidas como a reforma da Previdência e a abertura comercial injetaram otimismo, mesmo em meio a polêmicas.
O despertar político do eleitor brasileiro: de apático a engajado
Historicamente, o eleitor brasileiro era caracterizado por baixa politização. Pesquisas como as do IBOPE e do Datafolha, nos anos 2000, mostravam que grande parte da população via a política como algo distante, corrupto e irrelevante para o dia a dia. Votava-se por tradição familiar, carisma ou promessas assistencialistas, sem debate profundo sobre ideologias ou valores nacionais.
Bolsonaro mudou isso com sua forma única e popular de falar, direta, sem filtros, usando gírias e memes que ressoavam nas periferias e no interior do país. Ele não era o político polido de terno; era o “mito” que dizia o que muitos pensavam, mas não ousavam expressar. Essa autenticidade despertou uma parcela da população que nunca havia se manifestado politicamente. Pessoas comuns, como caminhoneiros, agricultores, evangélicos e empresários, ganharam identidade. Bolsonaro fomentou o orgulho de ser brasileiro, resgatando símbolos como a bandeira nacional e o hino, que passaram a ser exibidos com fervor em manifestações.
Pela primeira vez, debates políticos invadiram rodas de conversa em churrascos, ônibus e redes sociais. A consciência cívica floresceu, e brasileiros começaram a discutir economia, liberdade de expressão e liberalismo econômico, temas antes restritos a elites acadêmicas. Bolsonaro deu voz aos “excluídos do debate”, transformando apatia em engajamento.
A união das classes sociais: manifestações por um Brasil próspero
O mais impressionante do legado bolsonarista foi a união inédita de todas as classes sociais. Nas manifestações pró-Bolsonaro, como as de 2019 e 2022, viam-se lado a lado executivos de terno, trabalhadores de capacete, donas de casa e estudantes. Não era mais uma divisão entre “ricos e pobres”; era uma voz unificada por um Brasil próspero, em favor da família, da liberdade de expressão e do liberalismo econômico.
As classes trabalhadoras, historicamente manipuladas por discursos populistas, passaram a discutir política e economia com profundidade. Caminhoneiros debateram reformas tributárias; agricultores, acordos comerciais. Essa politização transversal fortaleceu a ideia de nação, na qual o orgulho brasileiro superava divisões sociais. Bolsonaro não despertou apenas as classes A ou B; ele politizou todos, criando uma sociedade mais consciente e unida em torno de valores como liberdade, prosperidade e patriotismo.
Um legado que perdura apesar da perseguição
A prisão de Bolsonaro, motivada por questões políticas e não por justiça verdadeira, é um golpe contra essa transformação. Sua família sofre, mas o Brasil que ele ajudou a despertar permanece. O fenômeno Bolsonaro redefiniu a política nacional, dando identidade a uma nação outrora perdida. Seu legado de luta pela família, resistência à corrupção e despertar cívico é inabalável. Em um país ainda dividido, resta a esperança de que essa consciência política continue a guiar o futuro, rumo a um Brasil verdadeiramente próspero e livre.



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