Arqueologia revela que povos sambaquianos já caçavam baleias há 5 mil anos
Estudo publicado na revista Nature comprova que antigos habitantes da Baía Babitonga utilizavam tecnologia avançada para capturar grandes animais marinhos
edição360/IA A Baía Babitonga, no Norte de Santa Catarina, acaba de se tornar o centro de uma descoberta que altera a cronologia da história marítima mundial. Um estudo arqueológico detalhado, fundamentado em vestígios encontrados em sambaquis e no acervo do Museu Arqueológico de Sambaqui de Joinville, indica que os povos sambaquianos dominavam a caça de grandes baleias há cerca de 5 mil anos. Até o momento, a visão científica predominante era de que esses grupos apenas aproveitavam as carcaças de animais que encalhavam naturalmente na costa.
A pesquisa contou com o trabalho de arqueólogos da Universidade Autônoma de Barcelona em conjunto com especialistas do museu catarinense. O artigo, divulgado na última edição da prestigiada revista científica Nature, coloca o litoral brasileiro em um patamar de pioneirismo tecnológico.

Pioneirismo mundial na caça marinha
Os dados obtidos revelam que a prática da caça organizada no Sul do Brasil é aproximadamente 1.500 anos mais antiga do que os registros encontrados no Ártico e Subártico, locais que eram considerados as regiões com os caçadores de baleias mais remotos do planeta. Com essa nova evidência, a história da relação entre o homem e os grandes cetáceos ganha um novo capítulo iniciado em águas brasileiras.
Para fundamentar a descoberta, os pesquisadores analisaram materiais de 17 sambaquis da Baía Babitonga e mais de cem amostras preservadas pelo museu de Joinville. A confirmação das espécies foi possível graças ao uso de técnicas moleculares inovadoras, como a espectrometria de massa, que identifica o animal por meio do colágeno encontrado nos ossos.

Ferramentas especializadas e estratégia
A evidência definitiva da caça ativa não está apenas nos restos biológicos, mas na tecnologia deixada por esses povos. Foram identificados artefatos produzidos especificamente para a perseguição e captura de grandes presas, como partes de lanças do tipo arpão confeccionadas com os próprios ossos de baleia.
Os vestígios apontam a exploração de espécies como a baleia-franca austral, além de jubartes e cachalotes. O domínio dessas técnicas demonstra que as comunidades pré-coloniais possuíam um conhecimento profundo da ecologia marinha e uma estrutura social capaz de organizar expedições de grande porte para enfrentar animais de toneladas em mar aberto.

Preservação da história em Joinville
O estudo reforça a importância da preservação dos sambaquis e dos acervos museológicos para a compreensão da ocupação humana no Brasil. Essa trajetória, que permaneceu silenciosa por milênios, agora ganha visibilidade internacional, mostrando que a conexão cultural e ecológica entre os povos da costa e o oceano era muito mais complexa do que se supunha.
Para os interessados em conhecer de perto as peças que fundamentaram essa descoberta histórica, o Museu Arqueológico de Sambaqui de Joinville mantém os artefatos em sua exposição permanente. A instituição fica na Rua Dona Francisca, 600, e recebe visitantes de terça-feira a domingo, entre 10h e 16h.
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