Incêndio na Suíça revela padrão de negligência em casas noturnas
O pesadelo da boate Kiss se repete em estação de esqui de luxo na virada do ano
Foto: Picture Alliance A repetição de falhas fatais em casas noturnas e bares ao redor do mundo acende um alerta global sobre a urgência de fiscalização e segurança. Um incêndio devastador ocorrido em um bar da estação de esqui de Crans-Montana, na Suíça, no início de janeiro, mostrou semelhanças perturbadoras com o desastre da Boate Kiss, que deixou 242 mortos em Santa Maria, Rio Grande do Sul, em janeiro de 2013.

A tragédia em Crans-Montana
O incidente na Suíça, que vitimou cerca de quarenta pessoas e deixou mais de cem feridos, ocorreu no bar Le Constellation, durante as festividades de ano novo. A situação ganhou repercussão internacional, especialmente na Itália, pois muitos dos jovens desaparecidos eram de nacionalidade italiana. Assim como no Brasil, o fogo se espalhou com velocidade assustadora, transformando a celebração em um cenário de pânico e morte. A rápida propagação das chamas e da fumaça tóxica foi o fator principal para o elevado número de vítimas.
Detalhes de um desastre previsível
Especialistas e grupos de familiares de vítimas apontam que o incêndio na Europa segue um “padrão de negligência” que, em tese, poderia ter sido prevenido. Entre os erros cruciais que aproximam os dois casos estão:
Pirotecnia em ambiente fechado: A suspeita principal é que o incêndio tenha se iniciado após o uso de velas pirotécnicas, costumeiramente utilizadas em garrafas de espumante, terem atingido materiais inflamáveis do teto do bar.
Material inflamável: O revestimento acústico utilizado no bar suíço, tal como na Kiss, era composto por espuma altamente inflamável e sem proteção contra chamas. Quando em combustão, esse material libera fumaça densa e tóxica, causando asfixia e desorientação.
Rotas de fuga insuficientes: A única saída do bar na Suíça era uma escada estreita que, em poucos minutos, transformou-se em um gargalo mortal, impedindo a fuga de dezenas de pessoas.
As investigações na Suíça ainda estão em curso, mas os proprietários do Le Constellation já enfrentam acusações de homicídio por negligência.
As lições não aprendidas de santa maria
A tragédia da Boate Kiss, ocorrida há mais de uma década, impôs ao Brasil a necessidade de rever e implementar requisitos rigorosos de segurança. O caso de Santa Maria forçou a criação de normas mais estritas, como a obrigatoriedade de sprinklers automáticos, saídas de emergência claras e acessíveis, além de uma fiscalização mais atenta sobre a natureza dos materiais de isolamento acústico.
O caso de Crans-Montana demonstra que, independentemente da nação, a negligência em relação a normas básicas de segurança representa um risco iminente de desastre, repetindo falhas que custaram vidas jovens no Brasil e que continuam a se manifestar ao redor do mundo.
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