Brasil tem recorde de envelhecimento e queda de jovens, diz IBGE
País vive transição demográfica acelerada com redução de dez milhões de pessoas abaixo de trinta anos
Casal de idosos Páscoa e Ulysses da Conceição no jardim do condomínio onde moram. Foto: Cecília Bastos Um cenário de transformação profunda redefine o perfil demográfico do país, conforme revelam novos indicadores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O contingente de brasileiros com menos de 30 anos de idade sofreu uma redução expressiva, recuando de 49,9% para 41,4% em um intervalo de treze anos, entre 2012 e 2025. Em números absolutos, essa retração representa a perda de mais de 10 milhões de pessoas nessa faixa etária, consolidando uma tendência de envelhecimento que impacta diretamente a estrutura social e econômica.
A queda mais acentuada foi observada no grupo das crianças de até 13 anos, que passou de 22% para 18,1% do total de habitantes. O segmento de adolescentes e jovens entre 14 e 19 anos também apresentou retração, descendo de 10,5% para 8,3%. Esses dados confirmam que a base da pirâmide etária está encolhendo, enquanto o topo se torna mais robusto.
Domínio da maturidade e longevidade
A parcela da população situada entre os 30 e 59 anos atingiu a marca de 58,6% do total de habitantes em 2025, superando os 50,1% registrados anteriormente em 2012. Atualmente, este é o maior recorte de idade no território nacional, evidenciando que o Brasil deixou de ser um país majoritariamente jovem para se tornar uma nação de adultos e idosos.
O envelhecimento é acompanhado por uma predominância feminina. Segundo a pesquisa, a proporção de sexo no grupo de 65 anos ou mais indica a existência de aproximadamente 75,9 homens para cada 100 mulheres. Além disso, o sentimento subjetivo da população acompanha os dados técnicos: estudos globais apontam que o brasileiro espera viver até os 80 anos, superando a expectativa de vida mensurada pelo órgão oficial.
Contrastes regionais e dependência econômica
O envelhecimento não ocorre de forma uniforme entre as unidades da federação. As regiões Sudeste e Sul lideram o ranking de longevidade, concentrando as maiores proporções de idosos, com 18,1% da população em ambas as áreas. No extremo oposto, a região Norte permanece como o reduto mais jovem do país, onde 41,5% dos moradores possuem até 24 anos. Contudo, até mesmo no Norte, o índice de idosos, embora menor (11,3%), sinaliza o início de uma transição.
Essa mudança no perfil etário gera reflexos na dinâmica de cuidado e sustento. Houve uma inversão nos índices de dependência econômica: enquanto a taxa de jovens que dependem de membros ativos da família caiu de 34,4 para 29,9 por 100 pessoas, a taxa de dependência de idosos subiu para 14,7 por 100. O cenário exige atenção das políticas públicas para garantir sustentabilidade previdenciária e sistemas de saúde adequados a uma população que vive cada vez mais.
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