Recuo em reforma administrativa reflete temor eleitoral do governo federal
Deputado Pedro Paulo aponta que gestão Lula paralisou debate sobre reestruturação do Estado para evitar desgastes eleitorais
A discussão em torno da reforma administrativa sofreu uma interrupção estratégica por parte do Governo Federal. De acordo com o deputado Pedro Paulo (PSD-RJ), relator da proposta na Câmara, a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu abandonar a pauta devido ao receio de impactos negativos em períodos de votação. O parlamentar afirma que o Palácio do Planalto optou por evitar temas sensíveis que pudessem gerar atritos com o funcionalismo público, priorizando a estabilidade política em detrimento de mudanças estruturais na máquina pública.
Flexibilidade nas negociações
O relator manifestou disposição para ajustar o texto conforme as diretrizes da equipe econômica e do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos. Pedro Paulo ressaltou que pontos considerados críticos, como a definição de regras por meio de leis complementares, podem ser negociados para viabilizar o consenso. Segundo ele, o entrave para o projeto não é de ordem técnica, mas uma escolha deliberada do Executivo de retirar a matéria do rol de prioridades imediatas do Congresso Nacional.
Combate aos supersalários
Além das mudanças na estrutura das carreiras, o debate envolve o projeto que visa limitar os supersalários no setor público. O deputado defende que o governo deveria exercer o poder de veto para eliminar benefícios extrateto, os chamados penduricalhos, que permitem remunerações acima do limite constitucional. Na visão do parlamentar, o enfrentamento desses privilégios seria um passo essencial para demonstrar compromisso com a eficiência dos gastos, mesmo diante de pressões de categorias específicas.

Silêncio do Ministério da Gestão
Até o momento, o Ministério da Gestão não apresentou uma resposta oficial sobre as declarações do relator a respeito da paralisação da proposta. A ausência de uma interlocução direta entre o Executivo e o Legislativo sobre o tema reforça a percepção de que a reforma deixou de ser uma meta para o atual ciclo. Com a resistência em pautar medidas que gerem polêmica, o futuro da reestruturação administrativa permanece incerto e sem previsão de retomada nas comissões parlamentares.
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