Papai Noel nem sempre vestiu vermelho: como a publicidade ajudou a criar o símbolo global do Natal
Antes de se tornar um ícone mundial, o bom velhinho teve várias aparências ao longo da história
Reprodução / Internet A figura do Papai Noel, hoje universalmente associada ao traje vermelho e branco, teve uma longa jornada de transformação visual. Muito antes de sua aparência se tornar um padrão, a representação do bom velhinho variava drasticamente conforme a região, a cultura e a tradição religiosa.

As raízes e a diversidade inicial
Inspirada em São Nicolau, um bispo cristão do século IV conhecido por sua generosidade, a figura original era retratada de maneiras distintas pela Europa. Em certos países, ela vestia roupas religiosas; em outros, ganhava características mais ligadas ao folclore. As cores dominantes em seu vestuário eram tons terrosos, como verde, marrom e bege. Não havia, portanto, um visual único ou uma identidade globalmente reconhecida para o personagem.

O século XIX e os primeiros traços do atual
O Papai Noel começou a adquirir traços mais familiares no século XIX. O ilustrador Thomas Nast contribuiu significativamente para essa padronização inicial. Famoso por seus trabalhos na revista Harper’s Weekly, Nast ajudou a consolidar a imagem de um personagem barbudo, mais robusto e diretamente associado às celebrações do Natal.
Apesar de seu esforço, o consenso visual ainda estava incompleto. As ilustrações da época mostravam o traje em diversas cores, como vermelho, verde ou marrom, indicando que o personagem continuava em franco processo de transformação e sem um padrão definitivo.

1931: o papel da Coca-Cola na consolidação
A grande mudança que estabeleceu a imagem moderna do Papai Noel ocorreu em 1931. A Coca-Cola, buscando uma campanha natalina com forte impacto emocional e visual, contratou o ilustrador Haddon Sundblom.
Sundblom desenvolveu um Papai Noel alegre, simpático, com uma expressão calorosa, robusto e humano. O traje escolhido foi o icônico vermelho com detalhes brancos, cores que convenientemente se alinhavam à identidade visual da marca. Embora a inspiração tenha vindo de descrições literárias do século XIX, o resultado final gerou um impacto cultural inédito.

Da estratégia à memória coletiva
A campanha da Coca-Cola foi um sucesso e se repetiu por décadas, divulgada em anúncios, calendários, revistas e cartazes ao redor do mundo. Devido ao seu alcance internacional, a imagem criada por Sundblom rapidamente se tornou a representação mais reconhecida do Papai Noel globalmente.
Com o tempo, essa versão visual deixou de ser apenas uma peça publicitária e foi incorporada de forma definitiva ao imaginário coletivo. Hoje, o mesmo padrão estético é adotado em filmes, programas de televisão, decorações, vitrines e eventos natalinos.

A verdade sobre a criação do mito
É importante notar que a Coca-Cola não criou o Papai Noel, tampouco foi a primeira a vesti-lo de vermelho. No entanto, o papel da empresa foi decisivo na história do personagem. A marca foi responsável por consolidar, padronizar e popularizar essa imagem de forma global, transformando-a no símbolo universal do Natal.
O Papai Noel moderno é um exemplo claro de como a tradição cultural e a publicidade podem se fundir para criar um ícone atemporal, que transcende sua origem comercial.
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