Contas públicas registram maior déficit desde 2020
Resultado negativo até maio amplia desafio para cumprir a meta fiscal de 2026, enquanto a dívida pública federal ultrapassa R$ 9 trilhões
Reprodução As contas públicas do governo federal acumularam déficit primário de R$ 44,4 bilhões entre janeiro e maio, o pior resultado para o período desde 2020. O desempenho amplia a pressão sobre o cumprimento da meta fiscal estabelecida para este ano.
Resultado preocupa
No acumulado dos últimos 12 meses, o saldo negativo chegou a R$ 142,3 bilhões, o equivalente a 1,06% do Produto Interno Bruto (PIB). Apenas em maio, o déficit foi de R$ 53,3 bilhões, o maior já registrado para o mês desde 2024.
O déficit primário ocorre quando as despesas do governo, sem considerar o pagamento de juros da dívida, superam a arrecadação. Quando acontece o contrário, o resultado é um superávit.
Meta fiscal segue desafiadora
A meta do governo para 2026 é fechar o ano com superávit primário de 0,25% do PIB, estimado em R$ 34,3 bilhões. O arcabouço fiscal permite uma margem de tolerância de 0,25 ponto percentual para mais ou para menos em relação ao objetivo.
Além disso, poderão ficar fora do cálculo da meta cerca de R$ 63,5 bilhões em despesas, incluindo os precatórios, que correspondem a dívidas da União reconhecidas pela Justiça.

Dívida supera R$ 9 trilhões
A dívida pública federal alcançou R$ 9,03 trilhões em maio, alta de 2,66% na comparação com abril. O valor considera apenas os compromissos administrados pelo Tesouro Nacional, sem incluir estados, municípios, empresas estatais e títulos do Banco Central.
Na prática, o montante representa aproximadamente R$ 42.329 por brasileiro.
Captação fica mais cara
Os dados também mostram aumento no custo de financiamento da dívida. A taxa média das novas emissões da dívida interna passou de 14,08% para 14,19% ao ano, indicando um cenário de maior custo para o governo captar recursos no mercado.
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