Planalto avalia retaliação após Senado rejeitar Jorge Messias para o STF
Governo sofre derrota histórica com reprovação de indicação ao Supremo e busca identificar traições na base aliada
Foto: Edilson Rodrigues A rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo Senado Federal disparou um alerta vermelho no Palácio do Planalto. O placar de 42 votos a 34 contra o atual Advogado-Geral da União (AGU) não apenas barrou o nome escolhido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas também encerrou um tabu de 132 anos sem que o Senado rejeitasse uma indicação para a Corte. Diante do resultado negativo, a cúpula do governo iniciou um processo de mapeamento de votos para identificar congressistas que, embora tenham recebido emendas parlamentares, votaram contra o Executivo na sessão secreta.
Estratégias de resposta e foco em Alcolumbre
Movimentações internas sugerem que o presidente avalia medidas severas contra legendas e lideranças que não entregaram os votos prometidos. O foco das suspeitas de traição recai sobre o grupo político de Davi Alcolumbre, presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e figura central na articulação do Senado. Interlocutores do governo indicam que a demissão de indicados ligados ao parlamentar em cargos federais está sob análise. A avaliação de bastidor é que Alcolumbre teria trabalhado ativamente contra Messias para favorecer outros nomes de sua preferência pessoal para futuras vagas.

Fracasso na articulação e liberação de verbas
Mesmo com o empenho de R$ 11,6 bilhões em emendas apenas no mês de abril, a estratégia de convencimento do governo Lula falhou. O montante, que representou um salto drástico em comparação aos meses anteriores, tinha como objetivo garantir a governabilidade e a aprovação de pautas de interesse do Planalto, incluindo a sabatina de Jorge Messias. O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, e o líder do governo, Jaques Wagner, manifestaram surpresa com o resultado, uma vez que as projeções indicavam ao menos 41 votos favoráveis, número mínimo necessário para a aprovação.
Cenário para novas indicações
Analistas políticos e membros do Congresso acreditam que uma nova indicação para o STF dificilmente ocorrerá no curto prazo. Com o clima de hostilidade estabelecido entre os poderes e a proximidade das eleições, o governo deve aguardar um momento de maior estabilidade para enviar um novo nome à apreciação dos senadores. Jorge Messias, que visitou dezenas de gabinetes em busca de apoio, classificou a decisão como soberana, mas o Planalto entende que o episódio fragiliza a articulação política e exige uma reforma imediata na condução das negociações com o Legislativo.
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