Semaglutida: entenda as diferenças entre as versões oral e injetável
Medicamento revoluciona tratamento de diabetes e obesidade, mas formatos têm particularidades que impactam eficácia e uso
Foto: Karime Xavier A semaglutida, princípio ativo de medicamentos como Ozempic, Wegovy e Rybelsus, tem transformado o tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade, mas suas versões oral e injetável apresentam diferenças significativas que vão além da forma de administração. Enquanto a versão injetável é amplamente reconhecida por sua eficácia no controle de peso, a oral oferece praticidade, mas com limitações que precisam ser consideradas. Especialistas explicam as particularidades de cada formato e alertam para a importância do uso correto, sempre com acompanhamento médico.
A semaglutida é um análogo do hormônio GLP-1, que regula o açúcar no sangue, promove saciedade e retarda o esvaziamento gástrico. Na forma injetável, encontrada no Ozempic (indicado para diabetes tipo 2) e no Wegovy (aprovado para obesidade), a dosagem varia de 0,25 mg a 2,4 mg por semana. Já o Rybelsus, a versão oral, está disponível em doses de 3 mg, 7 mg e 14 mg, tomadas diariamente em jejum. “A diferença principal está na tecnologia de absorção”, explica o endocrinologista Paulo Augusto Carvalho Miranda, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM). A semaglutida injetável não enfrenta as barreiras do sistema digestivo, enquanto a oral depende de um mecanismo de encapsulamento que protege a molécula dos ácidos estomacais, mas apenas 1% a 2% da dose é absorvida.
Para o tratamento de diabetes, o Rybelsus é eficaz e prático, mas no combate à obesidade, a versão injetável leva vantagem. Estudos mostram que o Wegovy, com doses de até 2,4 mg, promove perda de peso de 15% a 17% em cerca de dois anos, enquanto o Rybelsus, com doses menores, não tem estudos robustos que confirmem segurança e eficácia para essa finalidade. “Não temos dados que comprovem a semaglutida oral como opção segura para emagrecer”, reforça Miranda. O endocrinologista Rodrigo Lamounier, da Rede Mater Dei, destaca que a escolha entre as formas depende do perfil do paciente, já que a administração oral pode facilitar a adesão ao tratamento.
Ambas as versões exigem prescrição médica e acompanhamento, especialmente por conta de efeitos colaterais como náuseas, diarreia e, em casos raros, riscos mais graves, como neuropatia óptica. A Anvisa alerta para a necessidade de cautela, principalmente com o uso off-label (fora da indicação da bula) do Ozempic para emagrecimento. Além disso, a semaglutida oral enfrenta desafios logísticos: deve ser tomada em jejum, com pouca água, e o paciente precisa esperar 30 minutos antes de comer ou ingerir outros medicamentos, o que pode ser incômodo.
A chegada de genéricos, com a expiração da patente da semaglutida em 2026, promete ampliar o acesso, mas especialistas reforçam que o medicamento não é uma solução milagrosa. Dieta equilibrada e exercícios físicos continuam essenciais para resultados sustentáveis. “A semaglutida é uma ferramenta poderosa, mas deve ser usada com responsabilidade”, conclui Lamounier.



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