Mulheres lideram rede de apoio ao autismo no Brasil
Iniciativa inédita traça perfil do cuidado e revela diagnóstico precoce como tendência nacional
Divulgação/IPP Protagonismo feminino no cuidado
Silenciosa, persistente e pouco reconhecida, a rotina de assistência a pessoas com autismo no Brasil recai majoritariamente sobre as mulheres. Um levantamento nacional aponta que elas são as principais responsáveis pelo acompanhamento diário, terapias e suporte emocional, muitas vezes à custa da própria carreira e estabilidade financeira. Histórias como a da advogada Anaiara Ribeiro, de 43 anos, ajudam a dimensionar o cenário. Mãe de um jovem com diagnóstico de transtorno do espectro autista (TEA), ela reorganizou completamente a vida para atender às necessidades do filho, o que incluiu o desligamento do emprego formal para atuar de forma autônoma.
Dados do mapeamento
O chamado Mapa do Autismo no Brasil reuniu 23.632 respostas em todo o país, trazendo um retrato amplo sobre o tema. Desse total, 18.175 participantes são responsáveis por pessoas autistas, enquanto 2.221 acumulam a condição de cuidador e também estão no espectro. Entre os principais achados, destaca-se o fato de que a maior parte das cuidadoras são mulheres, muitas fora do mercado de trabalho formal. O dado evidencia um impacto direto na renda familiar e na autonomia dessas pessoas, especialmente em contextos de separação conjugal, que ampliam a responsabilidade feminina.
Diagnóstico precoce e custos
Aparece como um ponto relevante do estudo a mudança na idade média de diagnóstico, que caiu para cerca de 4 anos, alinhando o país a padrões internacionais. A identificação precoce facilita o acesso a intervenções, mas também eleva a pressão financeira sobre as famílias. O levantamento aponta que muitos núcleos familiares gastam mais de R$ 1 mil mensais com terapias, recorrendo majoritariamente a planos de saúde, enquanto as regiões Norte e Nordeste apresentam maior dependência da rede pública.
Políticas públicas e investimentos
Em resposta à crescente demanda, o governo federal anunciou o investimento de R$ 83 milhões para ampliar a assistência a pessoas com autismo. A medida prevê a criação de 59 novos serviços, incluindo Centros Especializados em Reabilitação e transporte adaptado. A proposta é fortalecer a rede de atendimento desde a fase inicial até o acompanhamento especializado. No Brasil, a estimativa é de 2,4 milhões de pessoas autistas, e o estudo reforça a necessidade de políticas que contemplem não apenas o paciente, mas também o suporte emocional e financeiro para quem assume a jornada do cuidado.
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