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Joinville,25/07/2026

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Paciente recebe tratamento inédito para lesão medular em hospital de Joinville

Jovem de 21 anos é o primeiro do Norte de Santa Catarina a receber polilaminina por meio de programa autorizado pela Anvisa, reacendendo a esperança de recuperação após grave acidente

Fonte: redação360
Paciente recebe tratamento inédito para lesão medular em hospital de Joinville Divulgação

A possibilidade de um novo caminho no tratamento de lesões medulares marcou a rotina do Hospital São José, em Joinville, com a aplicação inédita de polilaminina em um paciente de 21 anos. O procedimento, realizado na quinta-feira (23/7), foi o primeiro do tipo no Norte de Santa Catarina e reuniu profissionais da equipe de ortopedia da unidade, um neurocirurgião de Foz do Iguaçu e um médico pesquisador ligado ao estudo desenvolvido no Rio de Janeiro.

O jovem sofreu um acidente de motocicleta no domingo (19/7) e foi encaminhado ao hospital logo após o resgate. O diagnóstico apontou uma lesão medular aguda completa, que provocou paraplegia, com perda total dos movimentos e da sensibilidade das pernas e de parte do tronco.

Tratamento foi autorizado por programa especial

Após sugestão de uma médica da equipe, a irmã do paciente procurou o Laboratório Cristália, responsável pela produção da polilaminina. Como o medicamento ainda está em fase de estudos, ele não é comercializado nem disponibilizado pelo SUS. O acesso ocorreu por meio do Programa de Uso Compassivo, mecanismo autorizado pela Anvisa que permite o uso de terapias experimentais em situações específicas.

Segundo a família, a análise do caso foi rápida. Após o envio do prontuário, exames, laudos e informações sobre o acidente, o laboratório informou que o paciente preenchia os critérios iniciais para participar do programa.

Com essa aprovação, os médicos Alberto Kazuo Miyamoto e Ângelo Gubert Jacomel, responsáveis pelo atendimento no Hospital São José, providenciaram toda a documentação exigida e iniciaram os trâmites junto à equipe da pesquisa. Depois da avaliação técnica e da autorização da Anvisa, o procedimento foi liberado.


Jovem de 21 anos é o primeiro do Norte de Santa Catarina a receber polilaminina por meio de programa autorizado pela Anvisa, reacendendo a esperança de recuperação após grave acidente

Como a polilaminina foi aplicada

O neurocirurgião João Sarraf, integrante da equipe da pesquisadora Tatiana Sampaio, explicou que a polilaminina é indicada apenas para pacientes que atendem aos critérios do protocolo, como aqueles com traumatismo raquimedular agudo em estágio inicial.

Durante o procedimento, a substância foi diluída e aplicada nas duas extremidades da lesão, formando uma espécie de ponte para favorecer sua atuação. A intervenção contou com a participação de médicos, enfermeiros e técnicos do hospital.


Jovem de 21 anos é o primeiro do Norte de Santa Catarina a receber polilaminina por meio de programa autorizado pela Anvisa, reacendendo a esperança de recuperação após grave acidente


Antes da aplicação, o paciente já havia passado por cirurgia para estabilização da fratura na coluna. Ele permanece internado em estado estável, acompanhado por equipes de ortopedia e fisioterapia. Embora não faça parte do estudo clínico, sua evolução também será monitorada pelos pesquisadores.

Para a direção do Hospital São José, a realização do procedimento reforça o papel da instituição como referência em atendimentos de alta complexidade pelo SUS e representa um marco para a assistência pública em Santa Catarina e no país.

O que é a polilaminina

A polilaminina é uma versão polimerizada da laminina, proteína naturalmente presente no organismo humano. Para sua produção, a laminina é extraída de placentas e processada em laboratório.

Pesquisas indicam que a substância pode formar uma estrutura capaz de favorecer a reconexão dos axônios, responsáveis pela transmissão dos impulsos nervosos na medula espinhal. Com isso, existe a possibilidade de recuperação parcial ou total dos movimentos em pacientes com determinados tipos de lesão medular.

Por permanecer em fase de estudos, o medicamento não integra a rotina de hospitais brasileiros. Seu uso depende da avaliação da equipe responsável pela pesquisa e da autorização da Anvisa, conforme os critérios do Programa de Uso Compassivo.

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