El Niño ganha força e eleva risco de temporais em SC
Aquecimento acelerado do Oceano Pacífico aumenta a probabilidade de um episódio muito forte do fenômeno, com previsão de mais chuva, temporais e risco de desastres em Santa Catarina nos próximos meses
Foto: Roberto Zacarias O aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial intensificou o desenvolvimento do El Niño e elevou para 81% a probabilidade de o fenômeno atingir intensidade muito forte entre a primavera e o início do verão no Hemisfério Sul. Diante desse cenário, a Defesa Civil de Santa Catarina reforçou o monitoramento das condições climáticas e dos possíveis impactos sobre o Estado.
Aquecimento acelera e preocupa
Os dados mais recentes mostram que a temperatura da superfície do mar passou de +0,7°C em junho para +1,2°C em julho, confirmando a intensificação gradual do fenômeno. Além do aumento da temperatura do oceano, a atmosfera também apresenta comportamento compatível com a evolução do El Niño, fator essencial para sua caracterização.
As projeções indicam que o aquecimento continuará durante o inverno, alcançando forte intensidade até o fim da estação. O pico é esperado entre outubro e dezembro. Caso esse cenário se confirme, o episódio poderá ficar entre os mais intensos desde o início dos registros, em 1950.
Mais chuva e temporais em Santa Catarina
Um El Niño muito forte, conhecido popularmente como Super El Niño, ocorre quando o aquecimento das águas do Pacífico Equatorial atinge 2°C ou mais acima da média histórica. Embora os impactos variem entre as regiões, esse tipo de evento aumenta significativamente a probabilidade de chuvas acima da média, temporais frequentes e eventos meteorológicos de grande intensidade.
Para Santa Catarina, a tendência climática de médio prazo já aponta aumento das chuvas nas próximas semanas. Com a chegada da primavera, cresce também o risco de alagamentos, enxurradas, deslizamentos e tempestades em diferentes áreas do estado.
Como o fenômeno é identificado
O El Niño resulta da interação entre o oceano e a atmosfera. O aquecimento das águas do Pacífico altera o comportamento dos ventos e influencia o clima em diversas partes do planeta. No Brasil, os efeitos mais conhecidos são a redução das chuvas em parte da Região Norte e o aumento das precipitações na Região Sul.
O monitoramento considera diferentes áreas do Pacífico Equatorial e tem como principal referência a região Niño 3.4, onde a temperatura da superfície do mar precisa permanecer 0,5°C acima da média climatológica. A confirmação do fenômeno também depende da resposta da atmosfera e da persistência dessas condições ao longo dos meses.
Orientação à população
A Defesa Civil recomenda que a população acompanhe os boletins meteorológicos, previsões e alertas oficiais, especialmente em períodos de chuva intensa e temporais. Em caso de alagamentos, a orientação é não atravessar áreas inundadas. Se houver sinais de deslizamentos, como rachaduras no solo, muros deformados ou árvores inclinadas, a recomendação é acionar a Defesa Civil pelo telefone 199.
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