Vacina da dengue do Butantan é suspensa após casos graves
Decisão preventiva do Ministério da Saúde interrompe aplicação do imunizante enquanto investigações apuram reações adversas e mortes registradas após a vacinação
Divulgação/Butantan A aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan foi suspensa temporariamente em todo o país por decisão do Ministério da Saúde. A medida preventiva foi anunciada após o registro de 42 eventos adversos graves entre as cerca de 500 mil pessoas imunizadas, incluindo duas mortes que seguem sob investigação.
Segundo a pasta, a interrupção ocorrerá até que sejam concluídas todas as análises necessárias para determinar se existe ou não relação entre os casos registrados e a aplicação do imunizante. A decisão foi tomada dentro dos protocolos de monitoramento de segurança adotados pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI).
Casos graves acenderam sinal de alerta
Os dados apresentados pelas autoridades de saúde indicam que, entre os 500 mil vacinados, foram identificadas 42 ocorrências classificadas como reações severas, consideradas eventos raros. Dentro desse grupo, três casos foram considerados graves, sendo que dois evoluíram para óbito.
As investigações apontam que os pacientes apresentaram sintomas compatíveis com dengue grave nas semanas seguintes à vacinação. Apesar da coincidência temporal, os especialistas reforçam que ainda não há comprovação de que a vacina tenha causado os quadros clínicos observados.
Um dos óbitos envolveu uma mulher de 48 anos, que desenvolveu comprometimento neurológico após apresentar sintomas cerca de 19 dias depois da imunização. O outro caso foi de um homem de 58 anos, que apresentou quadro febril cinco dias após receber a dose e teve rápida evolução para manifestações graves da doença.
De acordo com o Ministério da Saúde, os episódios identificados não haviam sido observados durante os estudos clínicos realizados antes da aprovação da vacina.

Monitoramento será ampliado
Com a suspensão, estados e municípios receberam orientação para interromper imediatamente a aplicação das doses já distribuídas. As vacinas armazenadas nas redes de saúde deverão permanecer conservadas e não poderão ser utilizadas até nova determinação.
Outra recomendação é que as unidades de saúde realizem acompanhamento das pessoas que receberam a vacina nas últimas três semanas, período considerado relevante para a identificação de possíveis reações associadas ao imunizante.
A estratégia busca ampliar a vigilância epidemiológica e reunir informações adicionais que permitam esclarecer os casos registrados.
Vacina era aposta nacional contra a dengue
A Butantan-DV foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em novembro de 2025 e passou a integrar a estratégia nacional de combate à dengue em janeiro de 2026.
Considerada um marco para a saúde pública brasileira, a vacina é o primeiro imunizante nacional de dose única contra a doença e foi desenvolvida para oferecer proteção contra os quatro sorotipos do vírus da dengue.
Antes da suspensão, o governo federal havia recebido cerca de 1,3 milhão de doses, que estavam sendo distribuídas gradualmente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em municípios selecionados para a fase inicial da estratégia de vacinação.
Os estudos clínicos realizados antes da aprovação envolveram milhares de participantes e apontaram resultados positivos de eficácia e segurança, sem o registro dos eventos graves agora observados no monitoramento pós-aplicação.
Investigação busca esclarecer relação com a vacina
As análises em andamento envolvem equipes do Ministério da Saúde, da Anvisa, do Instituto Butantan e especialistas em vigilância sanitária e farmacovigilância.
Além da avaliação clínica dos pacientes, serão examinados fatores relacionados ao armazenamento, transporte e aplicação das doses. O objetivo é identificar se existe nexo causal entre os eventos registrados e a vacinação ou se os casos possuem outras explicações médicas.
Até a conclusão das investigações, a orientação oficial é manter a suspensão como medida de precaução. As autoridades reforçam que o monitoramento contínuo de vacinas faz parte dos protocolos internacionais de segurança e é considerado essencial para garantir a proteção da população.
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