Heróis de quatro patas: labradores deixam legado histórico em resgates em SC
Par de labradores encerra trajetória histórica de salvamentos no Corpo de Bombeiros Militar
Divulgação Uma cerimônia oficial carregada de profunda emoção marcou a aposentadoria simultânea de dois cães de busca do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina, consolidando o encerramento de um ciclo histórico para a corporação no Planalto Norte catarinense. O evento de despedida ocorreu no município de Porto União, oficializando a transição dos labradores Iron e Léia, conhecidos nacionalmente pela dedicação extrema em missões de salvamento e localização de desaparecidos. A solenidade reuniu autoridades e os respectivos condutores dos animais, celebrando uma trajetória de relevantes serviços prestados à sociedade.

A linhagem dos animais representa uma tradição de excelência em resgates no território catarinense, sendo ambos descendentes diretos de Brasil, o primeiro cão de busca do Estado a obter certificação internacional, falecido em 2020. O macho Iron, de dez anos, é filho direto do pioneiro, enquanto a fêmea Léia, de sete anos e meio, é sua neta, configurando três gerações consecutivas da mesma árvore genealógica canina dedicadas a salvar vidas. Esse histórico familiar reforça o pioneirismo técnico e a eficiência operacional alcançada pela instituição militar ao longo das últimas décadas.

O currículo operativo de Iron acumula participações em algumas das maiores tragédias humanitárias do Brasil, incluindo a atuação nos desastres de Brumadinho, em Minas Gerais, e Petrópolis, no Rio de Janeiro, além de grandes operações de socorro no Rio Grande do Sul e em Presidente Getúlio. Conduzido pelo cabo Josclei Tracz, o labrador iniciou as atividades na cidade de Xanxerê, destacando-se não apenas no resgate de sobreviventes em matas densas, mas também na localização técnica de restos mortais em suporte à Polícia Civil.

A atuação de Léia concentrou-se prioritariamente no Norte do Estado, com foco especializado em terrenos de serra e áreas de vegetação fechada. Sob a condução do cabo David Canever, a fêmea participou ativamente de pelo menos 18 buscas oficiais documentadas, localizando idosos, crianças e civis desorientados em circunstâncias adversas, muitas vezes durante operações noturnas complexas. A presença conjunta dos dois animais em Porto União impulsionou o rendimento técnico dos treinamentos locais devido à sinergia e ao forte laço afetivo existente entre o par.
O modelo de atuação do Corpo de Bombeiros Militar prevê que os cães não residam em canis institucionais, mas sim nas casas de seus próprios condutores, estabelecendo uma convivência integral em regime de prontidão permanente. Essa dinâmica assegura um vínculo afetivo profundo e a resposta imediata aos chamados de emergência. Com a dispensa das escalas de serviço, os dois labradores permanecem sob a tutela definitiva de suas respectivas famílias adotivas, trocando os cenários de risco por uma rotina doméstica tranquila e de descanso merecido.
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