Alexandre de Moraes suspende Lei da Dosimetria
Decisão cautelar do ministro barra aplicação da nova norma da dosimetria até julgamento definitivo pelo plenário do STF
Foto: Daniel Ferreira O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a suspensão imediata da eficácia da recém-promulgada Lei da Dosimetria até que o plenário da Corte realize uma análise definitiva sobre a validade da norma. A decisão, tomada em caráter liminar, congela os efeitos da legislação que poderia resultar na redução de penas para centenas de condenados, incluindo os envolvidos nos atos de 8 de janeiro.
Pausa na flexibilização penal
O magistrado atendeu a pedidos formulados em Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) protocoladas pela federação PSOL-Rede e pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI). Os autores das ações argumentam que a nova lei apresenta vícios de inconstitucionalidade e viola princípios fundamentais ao atenuar punições para crimes que atentam contra o Estado Democrático de Direito. Com o despacho, qualquer tentativa de aplicar a nova regra para beneficiar réus ou reduzir sentenças já transitadas em julgado fica paralisada.
Conflito entre Poderes
A norma suspensa havia sido promulgada pelo Congresso Nacional após a derrubada de vetos presidenciais. O texto original visava unificar critérios de cálculo de penas e facilitar a progressão de regime, o que, na prática, abriria caminho para que advogados de defesa solicitassem a revisão de punições consideradas severas pelo Judiciário. O Legislativo defendia que a mudança era necessária para corrigir distorções no sistema penal, enquanto setores da Justiça viam a medida como uma tentativa de esvaziar as condenações impostas pelo Supremo.
Rito processual e próximos passos
Sob a relatoria de Moraes, o processo agora seguirá para a fase de coleta de informações. O ministro solicitou que a Presidência da República e o Congresso Nacional se manifestem sobre o teor da lei em um prazo determinado. Posteriormente, a Advocacia-Geral da União (AGU) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) também deverão apresentar seus pareceres técnicos antes que a matéria seja levada ao julgamento colegiado dos onze ministros.
Impacto jurídico e político
A decisão de interromper a aplicação da lei gera um forte impacto no cenário político, uma vez que a aprovação do projeto foi celebrada pela oposição como uma vitória sobre o rigor do STF. Para o ministro relator, crimes que miram a ruptura institucional são de natureza gravíssima e não podem ser submetidos a interpretações que transmitam uma mensagem de tolerância ou impunidade à sociedade brasileira.
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