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Joinville,11/04/2026

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Explosão de dívidas no Brasil leva empresas quebrarem e famílias ao limite

Recuperações judiciais atingem maior nível desde 2012, enquanto endividamento das famílias chega a 80,4% em março de 2026 e expõe cenário de juros altos e crédito restrito

Fonte: Serasa/redação360
Explosão de dívidas no Brasil leva empresas quebrarem e famílias ao limite edição360/IA

O Brasil atravessa um ciclo prolongado de caos financeiro que já se reflete, com força crescente, tanto nas empresas quanto no orçamento das famílias. Os dados mais recentes mostram que 2025 consolidou um ponto de inflexão nesse cenário.

Segundo a Serasa Experian, o país registrou 2.466 pedidos de recuperação judicial em 2025, o maior número desde o início da série histórica, em 2012. O volume representa uma alta de aproximadamente 12,9% em relação a 2024, mantendo a trajetória de crescimento observada nos últimos anos. Na prática, foram mais de 200 empresas por mês recorrendo à Justiça para reestruturar dívidas e tentar evitar a falência.

Mas o dado que amplia a dimensão da crise está além das novas entradas. Ao final de 2025, o Brasil acumulava cerca de 5.680 empresas em recuperação judicial ativa, um aumento de 24,3% na comparação com o fim de 2024. Isso significa que não apenas mais empresas estão entrando no processo, como também estão demorando mais para sair, evidenciando um ambiente de recuperação mais lento e desafiador.




O movimento ocorre em paralelo à redução dos pedidos de falência, que somaram 698 casos em 2025, uma queda de cerca de 19% em relação ao ano anterior e bem abaixo dos níveis observados no início da série. O dado reforça a tendência de que empresas têm priorizado a reestruturação como alternativa para enfrentar o endividamento.

Agro lidera e revela mudança estrutural

A distribuição por setores mostra uma mudança relevante no perfil da crise. A agropecuária liderou os pedidos, com 743 empresas, o equivalente a 30,1% do total.

Na sequência aparecem
Serviços: 739 empresas, 30%
Comércio: 535 empresas, 21,7%
Indústria: 449 empresas, 18,2%

O avanço do agro chama atenção pela velocidade. Em 2012, o setor representava apenas 1,3% das recuperações judiciais. Em pouco mais de uma década, passou a concentrar quase um terço dos casos, refletindo a combinação de fatores como eventos climáticos extremos, volatilidade das commodities, custos elevados e maior exposição ao crédito.

Inadimplência empresarial em alta

O cenário de pressão financeira também aparece nos indicadores de inadimplência. Em dezembro de 2025, o Brasil registrava cerca de 8,9 milhões de empresas negativadas, frente a 6,9 milhões em 2024, um aumento de aproximadamente 2 milhões de CNPJs em apenas um ano.

O volume total de dívidas dessas empresas chegou a R$ 213 bilhões, o maior já registrado na série histórica.

Famílias no limite

Do lado do consumidor, o quadro segue a mesma direção. Em março de 2026, o percentual de famílias endividadas atingiu 80,4%, o maior patamar já registrado. Um ano antes, em março de 2025, o índice estava em 77,1%. Em 2015, era de 57,5%.

A inadimplência também permanece elevada
29,6% das famílias têm dívidas em atraso
12,3% afirmam não ter condições de pagar

O tempo médio de atraso chegou a cerca de 65 dias, e quase metade dos inadimplentes, 49,5%, está com dívidas há mais de três meses. O cartão de crédito segue como principal fonte de endividamento, presente em cerca de 85% dos casos.

Perspectiva

O avanço das recuperações judiciais e do endividamento reflete um ambiente marcado por juros elevados, crédito mais seletivo e desaceleração econômica gradual. No caso da agropecuária, somam-se fatores estruturais como risco climático e oscilações de preços internacionais.

Diante desse cenário, o governo estuda medidas para reorganizar o endividamento das pessoas físicas, incluindo a possibilidade de reunir diferentes dívidas, como cartão de crédito e crédito pessoal, em uma única linha com melhores condições de pagamento.



















O conjunto dos dados revela um quadro claro. Empresas e famílias seguem operando sob pressão, e a recuperação da economia avança em ritmo mais lento do que o necessário para aliviar esse peso.

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