Legado suíço é celebrado nos 175 anos de Joinville
Como parte da programação dos 175 anos de Joinville, a prefeitura e a Sociedade Cultural Alemã realizaram uma cerimônia oficial para exaltar o pioneirismo suíço e a contribuição histórica da família Schmalz
Divulgação Trajetória de um desbravador
A história da família na região começou em 1852, quando João Paulo Schmalz desembarcou ainda criança, aos oito anos, acompanhado de seus pais e quatro irmãos. Naturais de Nidau, vilarejo próximo a Berna, eles enfrentaram a travessia transatlântica em busca de novas oportunidades em um cenário de escassez na Europa do século 19.
Ao longo de sete décadas, Schmalz consolidou-se como uma das figuras mais versáteis da história local. Além de atuar como serralheiro, ele geriu por mais de trinta anos a usina de açúcar e álcool de Pirabeiraba, propriedade ligada à nobreza europeia. Seu espírito aventureiro também o levou a ser o primeiro montanhista registrado da cidade, sendo o responsável por desbravar o cume do Morro do Jurapê.

Liderança política e científica
A influência de João Paulo Schmalz ultrapassou as fronteiras do setor produtivo. Ele exerceu cargos de extrema relevância pública, atuando como presidente da Câmara Municipal e superintendente municipal, funções equivalentes ao cargo de prefeito na estrutura administrativa atual. Sua participação política foi decisiva na transição para o período republicano, colaborando inclusive na redação da primeira Constituição Republicana de Santa Catarina.
No campo das ciências, o imigrante deixou registros pioneiros de meteorologia e estudos sobre a fauna e flora local, com especial interesse pelas orquídeas. Esse apreço pela botânica foi lembrado durante a homenagem pela Associação Joinvilense de Amadores de Orquídeas (AJAO), que presenteou os descendentes com um exemplar da espécie Laelia Purpurata, símbolo da tradição floral da cidade.

Fortalecimento de laços internacionais
O evento de homenagem contou com a presença de uma comitiva do Cantão de Schaffhausen, liderada pela governadora Cornelia Stamm Hurter. A visita reforça o pacto de cidades-irmãs entre Joinville e a localidade suíça, renovado recentemente para promover o intercâmbio cultural e tecnológico. Segundo a governadora, a energia empregada pelos imigrantes há mais de um século foi o motor que permitiu o desenvolvimento econômico de Joinville.

Os restos mortais de João Paulo Schmalz repousam no Cemitério do Imigrante, local que preserva a memória dos fundadores. Para os descendentes que ainda residem no município, a celebração representa o reconhecimento de uma trajetória dedicada à construção de uma sociedade organizada e próspera.
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