O retorno dos guarás aos manguezais de Joinville
Recuperação ambiental na Baía Babitonga possibilita o reaparecimento de aves que haviam sumido da paisagem local no século passado
Divulgação A paisagem de Joinville recuperou um de seus elementos visuais mais emblemáticos. O guará-vermelho, ave que enfrentou um drástico declínio populacional no século passado, voltou a ocupar os manguezais da região norte de Santa Catarina. O fenômeno é resultado direto da melhora nas condições de conservação do habitat natural e da fiscalização rigorosa em áreas de preservação.
Típico de regiões estuariais, onde a água doce dos rios se mistura ao mar, o guará encontra na Baía Babitonga o ambiente ideal para seu ciclo de vida. A vegetação de manguezal, presente em pontos como a Lagoa do Saguaçu, Espinheiros, Adhemar Garcia e na Ilha do Morro do Amaral, serve como abrigo para a reprodução e construção de ninhos, além de oferecer o alimento necessário para a sobrevivência da espécie.

Preservação como fator determinante
A ausência dessas aves por décadas e seu recente retorno estão conectados à saúde dos ecossistemas locais. Especialistas apontam que a recuperação de áreas degradadas e a criação de unidades de conservação, como o Parque Natural Municipal da Caieira, foram fundamentais para consolidar uma população estável. O trabalho conjunto entre o poder público e a comunidade permitiu que o mangue voltasse a ser um refúgio seguro.
Para garantir que os guarás permaneçam na região, a Secretaria de Meio Ambiente mantém o monitoramento constante das Áreas de Preservação Permanente (APP). O foco está em impedir ocupações irregulares, realizar a limpeza de resíduos sólidos e avaliar o impacto de obras nas proximidades dos mangues. A existência da espécie na cidade depende estritamente da manutenção dessa vegetação específica.

Interação com o cenário urbano
Diferente de outras espécies ariscas, os guarás têm sido avistados com frequência em áreas de grande circulação, como o Centro de Joinville, nas margens do Rio Cachoeira. Essa proximidade ocorre porque o tecido urbano está conectado aos manguezais, e as aves buscam alimento onde há oferta de crustáceos e moluscos.
A cor vermelha vibrante, que tanto chama a atenção de moradores e turistas, é derivada da dieta desses animais. Ao consumirem caranguejos e camarões, eles absorvem pigmentos que tingem suas penas. Além da área central, pontos como a Vigorelli tornaram-se locais privilegiados para a observação desse patrimônio natural, que simboliza o equilíbrio entre o desenvolvimento da maior cidade do estado e a proteção da biodiversidade.
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