Iate de Lula na COP30 tem dono com passado nebuloso e suspeitas de compra de votos
A embarcação já esteve por águas amazônicas e carrega controvérsias
Reprodução O presidente Lula dispensou o navio da Marinha para a COP30 em Belém e optou por um iate de luxo fretado em Manaus. A embarcação, batizada de Iana 3, pertence ao empresário Iomar Oliveira, dono de uma frota que aluga barcos ao governo do Amazonas. O petista achou as instalações militares inadequadas para sua comitiva, como apurou o noticiário recente.
Frota familiar em alta rotação
Iomar Oliveira não é novato nesses fretes públicos. Seu Iana 2, por exemplo, está a serviço do governador Wilson Lima, também amazonense. O Iana 3, agora escalado para Lula, segue o mesmo padrão de conforto que justifica os contratos: estrutura ampla e requinte para quem precisa navegar com pompa. Em Belém, o iate deve abrigar o presidente e sua equipe durante o evento climático, programado para novembro de 2025.
Mas o luxo vem caro. Um fretamento similar para a COP30 foi orçado em 450 mil reais, segundo dados vazados. Os valores exatos do acordo com Lula permanecem sob sigilo, o que só alimenta as perguntas sobre o uso de recursos em tempos de crise ambiental e fiscal.
Sombras eleitorais no horizonte
O Iana 3 não é só sinônimo de sofisticação; ele já navegou por águas turvas. No Amazonas, a embarcação ganhou notoriedade em denúncias de crimes eleitorais. Em 2021, durante uma ação do governo estadual em Coari, o iate atracou para distribuir cartões de auxílio e cestas básicas. Moradores, porém, flagraram em fotos e vídeos o descarregamento de materiais que pareciam destinados ao famoso "comércio de votos".
A juíza eleitoral Mônica Cristina Raposo não deixou passar batido. Ela determinou uma inspeção imediata no barco, revistado por policiais em busca de irregularidades. O episódio expôs como o luxo pode mascarar práticas questionáveis, especialmente em regiões onde o clientelismo ainda dita o ritmo das eleições.
Negócios além das águas
A família Oliveira vai além dos barcos. A Oliveira Energia, braço do grupo, faturou alto com a venda recente da Amazonas Energia para a Âmbar, controlada pelo J&F – o mesmo dos irmãos Batista, de carnes e escândalos. Esses laços comerciais reforçam a teia de interesses que orbita em torno dos fretes públicos. No Amazonas, os contratos de locação do Iana escandalizaram a população pelo contraste entre o glamour das embarcações e a precariedade local.
Para o governo estadual e agora para a Presidência, o argumento é o mesmo: necessidade de conforto em missões oficiais. Resta saber se o iate, com seu histórico, vai ancorar sem novas ondas de controvérsia durante a COP30.
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