Brasil despenca em ranking global de competitividade
Mesmo com desemprego baixo, país perde posições e enfrenta dificuldades para atrair investimentos e ampliar o crescimento econômico
Reprodução A perda de espaço do Brasil no cenário internacional acendeu um alerta para a capacidade do país de atrair investimentos, empresas e novos negócios. No ranking mundial de competitividade de 2026, o país caiu da 58ª para a 65ª posição entre 70 economias analisadas no levantamento da IMD World Competitiveness Center.
O levantamento avalia cerca de 300 indicadores, incluindo aspectos como qualidade da educação, custo de capital, desempenho dos governos e eficiência das empresas. O resultado mostra que o aquecimento do mercado de trabalho, por si só, não tem sido suficiente para melhorar a posição brasileira no cenário global.
Educação e crédito pesam contra o país
Entre os principais fatores que limitam a competitividade nacional estão a baixa qualidade da educação, o alto custo do capital e a dificuldade para criar um ambiente favorável aos investimentos de longo prazo.
As economias mais bem colocadas no ranking, como Singapura, Hong Kong, Suíça, Taiwan e Emirados Árabes Unidos, compartilham características semelhantes, entre elas forte investimento em tecnologia, inovação e formação educacional, além de condições mais favoráveis para o financiamento de empresas.
O Brasil aparece próximo das últimas posições da lista, atrás de países como Gana e Eslováquia, e ao lado de nações como México, Botsuana, Mongólia, Nigéria, Namíbia e Venezuela.

Juros elevados formam ciclo difícil de romper
Especialistas apontam que o custo do capital é um dos maiores obstáculos estruturais para o desenvolvimento econômico brasileiro. A falta de avanços consistentes na educação reduz a produtividade e dificulta um crescimento sustentável. Como consequência, o país acaba dependente de taxas de juros mais elevadas para atrair investidores.
Esse cenário cria uma espécie de ciclo negativo. Com menos produtividade e menor eficiência econômica, o ambiente de negócios se torna mais caro, reduzindo a disposição das empresas em investir e expandir operações.
Ambiente de negócios preocupa investidores
Outro indicador considerado preocupante é a formação bruta de capital fixo, que mede os investimentos realizados em máquinas, equipamentos, infraestrutura e ampliação da capacidade produtiva.
Segundo a avaliação apresentada no estudo, o aumento do custo para fazer negócios no Brasil afeta tanto grandes indústrias quanto empresas emergentes. O impacto também ajuda a explicar por que parte dos recursos estrangeiros direcionados ao mercado financeiro brasileiro não se transforma em investimentos produtivos de longo prazo.
Risco de perder espaço na nova economia
Em um momento de intensa disputa global pela atração de empresas ligadas à inteligência artificial, tecnologia e inovação, a posição brasileira no ranking reforça preocupações sobre a capacidade do país de acompanhar as transformações econômicas em curso.
A combinação entre juros elevados, educação deficiente, alto custo operacional e falta de previsibilidade econômica é vista como um dos principais desafios para que o Brasil recupere competitividade e amplie sua participação nos investimentos globais.
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