PF aponta que Vorcaro pagou hotel para Hugo Motta e Ciro Nogueira em Lisboa
Relatório da Polícia Federal detalha hospedagem custeada por Daniel Vorcaro e amplia investigações sobre benefícios concedidos a autoridades públicas
Reprodução A Polícia Federal (PF) concluiu que o banqueiro Daniel Vorcaro custeou a hospedagem do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, e do senador Ciro Nogueira em um hotel de luxo em Lisboa, durante viagem realizada em 2024. A informação consta em relatório da Operação Compliance Zero, tornado público pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça.
Reservas e preocupação com sigilo
De acordo com as investigações, mensagens encontradas no celular de Vorcaro mostram que o banqueiro solicitou a um aliado identificado como Leo Serrano a reserva de hospedagem para "Ciro e Hugo" na capital portuguesa. Os investigadores concluíram que os nomes se referem ao senador e ao presidente da Câmara.
O relatório também registra que o empresário demonstrou preocupação com a privacidade do encontro, pedindo medidas para evitar a exposição de participantes e restringir a visualização do local escolhido para a hospedagem.
Valor das diárias
Segundo a PF, uma fatura encontrada nos arquivos de Daniel Vorcaro indica o pagamento de aproximadamente 3 mil euros por cinco diárias em um hotel de luxo de Lisboa, valor equivalente a cerca de R$ 18 mil. O documento menciona a contratação de duas suítes júnior, que, conforme os investigadores, teriam sido destinadas a Ciro Nogueira e Hugo Motta.
Relação sob investigação
As apurações também apontam uma relação mais ampla entre Vorcaro e Ciro Nogueira. Conforme a PF, o senador teria sido beneficiado com viagens para destinos como Paris, Nova York e Courchevel, nos Alpes franceses. Os investigadores calculam que os benefícios identificados ultrapassam R$ 468 mil, sem considerar despesas com voos privados.
A investigação integra o conjunto de apurações da Operação Compliance Zero, que busca esclarecer possíveis relações entre o banqueiro e agentes públicos, incluindo a concessão de vantagens econômicas e outros benefícios.
Reações
Embora citado no relatório, Hugo Motta não é investigado pela Polícia Federal. Ao comentar o caso, afirmou estar tranquilo e declarou que esteve em Lisboa para participar de um evento jurídico promovido pelo ministro Gilmar Mendes.
Até a divulgação do relatório, Ciro Nogueira não havia se pronunciado sobre as informações relacionadas à hospedagem em Lisboa.
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