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Joinville,07/06/2026

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Golpes e fraudes ligados à Copa de 2026 quase dobram

Uso de inteligência artificial, explosão de denúncias e crescimento de fraudes com Pix ampliam os riscos para consumidores às vésperas do Mundial

Fonte: redação360
Golpes e fraudes ligados à Copa de 2026 quase dobram Reprodução

O crescimento das fraudes relacionadas à Copa do Mundo de 2026 está acendendo um sinal de alerta entre consumidores e especialistas em segurança digital. Levantamento recente da NordVPN mostra que 34% dos brasileiros que utilizam internet afirmaram ter tido contato com golpes ligados ao futebol e ao torneio entre 2024 e 2025, índice que representa quase o dobro dos 19% registrados no ciclo anterior ao Mundial de 2022.

O cenário revela uma mudança significativa na atuação dos criminosos, que passaram a contar com ferramentas de inteligência artificial generativa para produzir conteúdos falsos com maior rapidez, sofisticação e capacidade de enganar as vítimas. A tecnologia reduziu drasticamente o tempo necessário para a criação de páginas fraudulentas, mensagens falsas e campanhas de phishing, permitindo que golpes sejam colocados em circulação em questão de horas.

Reclamações disparam às vésperas do Mundial

O aumento das tentativas de fraude também aparece nos registros de defesa do consumidor. Entre março e maio de 2026, foram contabilizadas 238 reclamações relacionadas à Copa do Mundo, um crescimento expressivo em comparação aos meses anteriores.

Os registros saltaram de 19 ocorrências em março para 63 em abril e 156 em maio, evidenciando uma escalada das práticas criminosas à medida que o torneio se aproxima.

Os números reforçam uma tendência observada por especialistas em segurança digital: grandes eventos esportivos continuam sendo utilizados por golpistas para atrair vítimas por meio da emoção, da urgência e da expectativa em torno das competições.

Inteligência artificial acelera os golpes

Uma das principais diferenças em relação à Copa de 2022 está na velocidade com que os golpes são criados e distribuídos. Há quatro anos, criminosos dependiam de conhecimentos técnicos mais avançados e precisavam de mais tempo para desenvolver páginas falsas e campanhas fraudulentas.

Com a popularização da inteligência artificial, esse processo se tornou muito mais simples. Ferramentas disponíveis ao público permitem criar textos, imagens, anúncios e até simulações de atendimento ao consumidor em poucas horas, tornando as fraudes mais convincentes.

Além da rapidez, os criminosos passaram a investir em estratégias mais direcionadas. Dados vazados, como CPF, e-mail e histórico de compras, são utilizados para personalizar abordagens e aumentar as chances de sucesso dos golpes.

Pix amplia os prejuízos

Outro fator que transformou o cenário das fraudes é a consolidação do Pix como principal meio de pagamento utilizado pelos brasileiros.

Enquanto cartões e boletos ainda tinham forte presença em 2022, as transferências instantâneas passaram a ocupar papel central nos golpes atuais. Como o dinheiro é transferido imediatamente, a possibilidade de recuperação dos valores após a fraude torna-se muito menor.

Criminosos também têm criado empresas fictícias que se apresentam como parceiras oficiais do evento, além de infiltrarem-se em grupos legítimos de torcedores e colecionadores para conquistar credibilidade antes de aplicar os golpes.

Redes sociais lideram as fraudes

As redes sociais continuam sendo o principal ambiente utilizado para atrair vítimas.

Segundo o levantamento, os canais mais utilizados pelos golpistas são:



  • Instagram: 51% dos casos;


  • WhatsApp: 48%;


  • Facebook: 35%;


  • TikTok: 26%.

Por meio dessas plataformas, os criminosos divulgam anúncios enganosos, promoções falsas e ofertas que prometem ingressos, produtos exclusivos ou oportunidades de apostas supostamente vantajosas.

Entre os golpes mais frequentes estão a venda de ingressos falsos, apostas ilegais, produtos falsificados e falsas promoções ligadas ao Mundial.


Golpes e fraudes ligados à Copa de 2026 quase dobram

Mercado de figurinhas também vira alvo

As fraudes não se limitam ao ambiente digital. O mercado de álbuns e figurinhas da Copa tornou-se um dos principais focos dos criminosos em 2026.

Entre março e maio, as reclamações envolvendo esse segmento cresceram rapidamente. Os registros passaram de nenhum caso em março para 34 ocorrências em abril e 109 em maio, impulsionados principalmente por anúncios enganosos, vendas não entregues e comercialização de produtos falsificados.

As ocorrências mais comuns registradas no período incluem:



  • 115 casos de atraso ou não entrega de produtos;


  • 34 reclamações por oferta não cumprida ou propaganda enganosa;


  • 24 registros de produtos incompletos ou diferentes do anunciado.

O problema também mobilizou autoridades. Em uma operação realizada em São Paulo, a polícia apreendeu 85 mil álbuns e figurinhas falsificadas da Copa do Mundo de 2026, além de milhares de camisas, resultando na prisão de cinco pessoas.

Crise de confiança na internet

A disseminação da inteligência artificial trouxe um desafio adicional para consumidores e empresas: identificar o que é verdadeiro em meio a uma quantidade crescente de conteúdos manipulados.

Imagens, vídeos, documentos e até mensagens de atendimento podem ser produzidos de forma extremamente convincente, dificultando a identificação de fraudes. Especialistas alertam que a segurança digital passa cada vez mais pela verificação da identidade dos usuários e pelo monitoramento de comportamentos suspeitos em tempo real.

A preocupação cresce porque os criminosos conseguem adaptar suas estratégias rapidamente, explorando novas oportunidades conforme surgem temas de grande interesse público, como a Copa do Mundo.

Como evitar cair em golpes

Para reduzir os riscos, especialistas recomendam atenção redobrada durante compras e negociações relacionadas ao torneio.

Entre as principais orientações estão:



  • Pesquisar a reputação do vendedor ou da loja;


  • Desconfiar de preços muito abaixo do mercado;


  • Verificar CNPJ, endereço e canais de atendimento;


  • Guardar anúncios, comprovantes e conversas;


  • Conferir políticas de troca e prazos de entrega;


  • Verificar se figurinhas, álbuns e produtos são oficiais;


  • Evitar compras em sites recém-criados;


  • Desconfiar de páginas que aceitam apenas Pix como forma de pagamento.

Com a proximidade da Copa do Mundo de 2026, especialistas alertam que a combinação entre inteligência artificial, engenharia social e pagamentos instantâneos tornou as fraudes mais sofisticadas e difíceis de identificar. O crescimento dos casos indica que a atenção dos consumidores será um dos principais fatores para evitar prejuízos nos próximos meses.

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