Limpeza de rios é intensificada em Joinville por risco de El Niño
Prefeitura amplia ações preventivas contra alagamentos e reforça manutenção em rios, galerias e canais diante da previsão de chuvas mais intensas em Santa Catarina.
Divulgação Com a previsão de um El Niño mais intenso no segundo semestre deste ano, a Prefeitura de Joinville intensificou as ações preventivas para reduzir os riscos de alagamentos, inundações e deslizamentos no município. Entre as principais medidas está o reforço na limpeza de rios, galerias, valas e canais, trabalho considerado estratégico diante do aumento esperado no volume de chuvas na região Sul do país.
Desde 2021, a Secretaria de Infraestrutura Urbana (Seinfra) realizou a limpeza de aproximadamente 950 mil metros dentro da área urbana de Joinville. A operação ocorre de forma contínua, mas ganhou reforço após os alertas climáticos emitidos para Santa Catarina.
Segundo a prefeita Rejane Gambin, o município já colocou em prática uma série de ações preventivas para minimizar os impactos causados pelas chuvas intensas.
“Esse é um trabalho fundamental para a prevenção de alagamentos em Joinville, pois sabemos que historicamente há áreas com maior risco de inundações. Diante dessa previsão do El Niño também reunimos o nosso time para reforçar as ações de prevenção que já estão sendo colocadas em prática”, afirmou.

Áreas de risco recebem manutenção ampliada
Os serviços seguem critérios definidos pela legislação ambiental e são executados tanto com o uso de máquinas quanto manualmente, conforme a classificação de cada trecho.
Recentemente, a Prefeitura promoveu adaptações no processo de manutenção após uma decisão judicial. Com isso, as regiões consideradas historicamente mais suscetíveis a alagamentos passaram a receber manutenção em um cronograma ampliado. Antes, o trabalho ocorria duas vezes ao ano. Agora, a limpeza será realizada três vezes por ano.
Joinville possui cerca de 176 quilômetros de rios em área urbana. Desse total, um acordo judicial delimitou 28 quilômetros classificados como áreas de maior probabilidade de alagamentos. Nesses locais, o trabalho segue autorizado com uso de maquinário pesado. Nos demais trechos, a limpeza acontece manualmente enquanto são elaborados estudos ambientais para futura autorização de manutenção mecanizada.
De acordo com o diretor da Seinfra, Fabiano Lopes de Souza, o município atua simultaneamente em duas frentes.
“Fora dessa área de maior probabilidade de inundação, a Prefeitura está com duas frentes de trabalho: uma que é a limpeza manual e outra que é preparar os estudos para solicitar a licença que libera a manutenção com máquinas. Depois que esses estudos estiverem prontos, serão encaminhados para avaliação da Secretaria de Meio Ambiente”, explicou.
Rios monitorados pela Defesa Civil
As áreas classificadas como prioritárias incluem trechos dos rios Águas Vermelhas, Aratacas, Augusto Kutz, Bucarein, Cachoeira, Célio Gomes, Rio do Braço, Rio do Ferro, Guaxanduva, Iririú Mirim, Itaum-Açu, Itaum Mirim, Jaguarão, Jativoca, João Drefahl, Lagoa Bonita, Lagoinha, Luiz Tonemann, Mutucas, Paulo Bohn, Piraizinho, Ribeirão dos Peixinhos, Santinho, Rio Velho e Walter Brandt.
A definição dessas áreas foi feita pela equipe da Defesa Civil de Joinville, com base na classificação de risco hidrológico prevista no Plano de Gestão de Riscos de Desastres, aprovado no fim de 2025.
Segundo o diretor da Defesa Civil, Maiko Richter, o plano estabelece diretrizes para identificar situações de risco e orientar ações preventivas.
“O Plano de Gestão de Riscos de Desastres identifica situações que aumentam a probabilidade de desastres, faz um mapeamento de risco e propõe ações estratégicas de prevenção e redução de riscos. Manter os rios e galerias limpos auxilia na questão da prevenção, sendo inclusive uma das recomendações do Plano”, destacou.

Decreto estadual coloca Santa Catarina em alerta
A intensificação das ações também acompanha as orientações do Governo de Santa Catarina, que publicou na segunda-feira (18/5) um decreto estabelecendo estado de alerta climático em todo o território catarinense por causa da previsão do El Niño.
O fenômeno climático costuma provocar aumento significativo no volume de chuvas na região Sul, elevando os riscos de enchentes, deslizamentos e inundações urbanas.
“Como esse fenômeno aumenta o volume de chuva na região Sul, é importante que além desse trabalho preventivo realizado pelo município, as pessoas também estejam informadas sobre como se proteger. O excesso de chuva pode causar inundações e aumentar o risco de deslizamentos”, alertou Maiko Richter.
Entre as determinações do decreto estadual estão a ampliação da limpeza de sistemas de drenagem, fiscalização de áreas de risco, atualização de planos de contingência e monitoramento de comunidades vulneráveis. Segundo a Prefeitura de Joinville, todas essas medidas já estão em execução no município.
Nesta semana, equipes responsáveis pela limpeza atuaram em regiões dos bairros Ulysses Guimarães, Boehmerwald e Fátima.
Máquina chinesa acelera roçada nas margens
Além da intensificação da limpeza dos rios, Joinville passou a utilizar neste mês um novo equipamento que agiliza o trabalho de roçada nas margens dos cursos d’água.
A máquina, adquirida pela empresa contratada pela Prefeitura, realiza a roçada superficial da vegetação sem remover as raízes, o que ajuda a preservar os taludes e reduzir riscos de erosão.
Segundo o gerente de Drenagem da Seinfra, Fábio de Oliveira, o ganho operacional é significativo.
“Essa é uma máquina que foi adquirida pela empresa contratada pela Prefeitura para a realização da limpeza e começou a ser usada neste mês. Além dessa questão de manter a raiz da vegetação, a máquina faz o serviço em um tempo muito mais rápido do que outras técnicas. Uma área de 800 metros, por exemplo, foi concluída em um dia. Se fosse manualmente, seria trabalho para quatro dias”, comparou.
Outro benefício do equipamento é a trituração automática da vegetação durante o corte, eliminando a necessidade de recolhimento e transporte dos resíduos para descarte em outros locais.
A técnica permite manter a estrutura vegetal das margens dos rios, preservando a estabilidade do solo enquanto a manutenção é realizada de forma mais rápida e eficiente.
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