Caminhada mobiliza Joinville por direitos na saúde mental
Mobilização reúne 250 pessoas no Centro para defender o cuidado em liberdade e combater o preconceito
Divulgação Guiados pelo sentimento de dignidade, respeito e inclusão, cerca de 250 participantes se reuniram na manhã desta quarta-feira para uma caminhada focada na conscientização sobre os direitos das pessoas em sofrimento mental e na luta antimanicomial. Integrando as ações da Semana Municipal de Conscientização e Orientação sobre a Saúde Mental, promovida pela Prefeitura de Joinville, o evento mobilizou pacientes dos serviços públicos, familiares, acadêmicos e profissionais da área da saúde em um ato marcado por depoimentos emocionantes e reivindicações sociais.
O ato público representou um momento emblemático para fortalecer a reforma psiquiátrica, modelo que institui o tratamento humanizado. Segundo a gerente de Saúde Mental da Secretaria da Saúde de Joinville, Priscila Tocachellis Batistella, a iniciativa demonstra que o cuidado em liberdade é um caminho viável e fundamental para a recuperação dos pacientes, reforçando a importância de desmistificar os transtornos psíquicos diante da sociedade.
Trajeto e relatos de superação no Centro
Com ponto de partida na Praça da Bandeira, o grupo percorreu as principais ruas da região central até chegar à Católica SC, espaço que sediou oficinas e apresentações culturais de encerramento. Ao longo do percurso, paradas estratégicas permitiram que os usuários dos serviços municipais compartilhassem suas histórias de vida, transformando o ato em uma plataforma contra a discriminação.
Usuário do Centro de Atenção Psicossocial 2 (CAPS), Brendon dos Santos Mendes relatou os desafios enfrentados no tratamento do transtorno bipolar e a busca por acolhimento. Ele destacou o suporte recebido na unidade e a necessidade de romper as barreiras do preconceito, que muitas vezes começam no próprio núcleo familiar, elogiando o atendimento humanizado que garante dignidade aos pacientes.

O impacto das atividades de reinserção também foi destacado por Claus Janke, que trata esquizofrenia há mais de três décadas. Paciente dos Serviços Organizados de Inclusão Social (SOIS), ele explicou como as oficinas e ações socioculturais o ajudaram a desenvolver habilidades de comunicação e a superar as dores do transtorno, apontando a falta de informação como a principal causa da rejeição social.
A possibilidade de manter uma rotina comum e ativa foi defendida por Fernando Schwolk, diagnosticado com a mesma condição aos 16 anos. Schwolk compartilhou que realiza as tarefas domésticas diárias, utiliza o transporte coletivo e que a participação na caminhada funciona como uma forma de abraçar publicamente a causa, reforçando que o tratamento contínuo viabiliza o regresso das pessoas à sociedade.
Celebração de aniversário e suporte aos cuidadores
A programação oficial da mobilização municipal segue com atividades diversificadas até o dia 22 de maio, buscando o fortalecimento de redes de apoio e a sensibilização coletiva. Nesta quinta-feira, a Festa da Amizade reúne pacientes e profissionais na Casa do Capitão para celebrar os 20 anos do CAPS Infantojuvenil (CAPS IJ) Cuca Legal, unidade especializada no atendimento de crianças e adolescentes com transtornos graves ou histórico de uso de substâncias psicoativas.

Registrando uma média mensal de 60 acolhimentos e 150 usuários sob acompanhamento, o CAPS IJ passou por uma ampliação de sua sede e equipe técnica em 2024. O serviço atua tanto por meio de busca referenciada quanto por demanda espontânea, consolidando-se como referência no tratamento e na reinserção familiar. O encerramento da semana ocorre na sexta-feira com o projeto Cuidando do Cuidador, voltado exclusivamente aos profissionais da rede, na Faculdade Censupeg, com o cronograma completo disponível nos canais digitais do município.
A estrutura da Rede de Atenção Psicossocial
O suporte especializado no município é estruturado por meio da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), que engloba o acolhimento e o tratamento de transtornos mentais e dependências químicas. O fluxo de atendimento envolve desde a atenção primária, nas Unidades Básicas de Saúde da Família (UBSFs), até os serviços de urgência e emergência em prontos-atendimentos e hospitais locais.
O suporte para casos agudos e crônicos é centralizado no CAPS II Nossa Casa e no CAPS III Dê Lírios, que oferecem acompanhamento terapêutico e médico voltado à autonomia do paciente. Para casos de dependência de substâncias, o CAPS AD adota estratégias de redução de danos e reabilitação diária, enquanto o SOIS atua no período pós-crise, utilizando arte, cultura e geração de renda para reconstruir os laços sociais e a qualidade de vida dos cidadãos.
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