El Niño antecipado em SC traz risco de temporais intensos
Fenômeno climático acelera no Pacífico e coloca a Defesa Civil em estado de alerta para o inverno no estado
edição360 A chegada antecipada do fenômeno El Niño coloca Santa Catarina em um novo patamar de atenção meteorológica para os próximos meses. De acordo com as projeções mais recentes da Defesa Civil, o aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial está ocorrendo de forma mais acelerada do que o previsto, elevando para mais de 80% a probabilidade de o fenômeno se estabelecer plenamente entre junho, julho e agosto. Inicialmente esperado apenas para a primavera, o cenário agora indica um inverno com maior incidência de temporais e chuvas intensas em todo o território catarinense.

Aquecimento do Pacífico e Impacto Climático
Caracterizado pelo aumento anormal da temperatura na superfície do mar, o El Niño altera diretamente a circulação atmosférica global. Em Santa Catarina, essa condição resulta em um ambiente favorável para o bloqueio de frentes frias e a formação de sistemas de baixa pressão, o que potencializa o volume de precipitação. Especialistas do Fórum Climático Catarinense, que reúne técnicos da Epagri/Ciram e da Defesa Civil, apontam que as anomalias térmicas podem superar 1,5°C durante a primavera, classificando o evento como de forte intensidade. Há, inclusive, uma estimativa de 25% de chance de o fenômeno atingir a categoria de muito forte.
Previsão para os Próximos Meses
Embora maio ainda apresente chuvas irregulares e volumes que podem ficar abaixo da média histórica, a transição para junho deve marcar uma mudança drástica no padrão meteorológico. Historicamente, os meses de junho e julho registram acumulados entre 100 mm e 150 mm, com maior concentração no Grande Oeste. Entretanto, sob a influência do El Niño, a expectativa é que esses valores sejam superados. Quanto ao frio, embora massas de ar polar ainda devam atingir o Estado, os episódios de baixas temperaturas tendem a ser menos persistentes e duradouros do que em anos anteriores.
Estrutura de Monitoramento e Prevenção
Antecipando-se aos riscos de enxurradas, inundações e deslizamentos, o governo estadual reforçou as ações de mitigação. A rede de monitoramento, composta por 172 estações e quatro radares, opera em regime de prontidão. No Vale do Itajaí, as barragens de contenção, como a Barragem Sul em Ituporanga, passaram por processos de automação e modernização tecnológica. Além do investimento em infraestrutura, houve um aumento de 25% no quadro de meteorologistas e a realização de simulados de desastres entre maio de 2025 e março de 2026 para garantir a agilidade das equipes de resposta.
Diferenças entre Fenômenos Extremos
A compreensão da dinâmica climática é fundamental para o preparo da população. Enquanto o La Niña é marcado pelo resfriamento das águas e períodos de estiagem no Sul do Brasil, o El Niño atua de forma oposta, trazendo instabilidade constante. O aquecimento oceânico faz com que a água evapore com maior rapidez, carregando a atmosfera de umidade e criando as condições ideais para chuvas prolongadas. A prioridade atual das autoridades é garantir que a comunicação de alertas chegue de forma eficiente aos municípios, visando minimizar os impactos socioeconômicos causados pelos eventos climáticos severos.
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