Advogado é alvo de operação por entrada de smartwatches em presídio de Joinville
Advogado é investigado por esconder relógios inteligentes em sala da OAB dentro do Complexo Penitenciário de Joinville
Foto: Divulgação/MPSC Relógios inteligentes usados como telefone dentro de celas colocaram um advogado, uma sócia e um policial militar no centro de uma investigação do Ministério Público em Santa Catarina. A suspeita é de que o grupo tenha atuado para facilitar a entrada ilegal de dispositivos eletrônicos no Complexo Penitenciário de Joinville e repassar mensagens entre integrantes de facções criminosas.
Operação mira esquema dentro de presídio
A Operação Cavalo de Tróia foi deflagrada na manhã desta quarta-feira, 22 de abril, pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas, o GAECO. Ao todo, foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão em Joinville e Blumenau. A investigação é conduzida pela 13ª Promotoria de Justiça da comarca de Joinville.
As ordens judiciais foram expedidas pela Vara Estadual de Organizações Criminosas. A ação contou com apoio do 1º Batalhão de Pronta Resposta e da Polícia Penal. Durante o cumprimento dos mandados, uma pessoa foi presa em flagrante por portar medicamentos estrangeiros sem registro na Anvisa.

Como funcionava o esquema
Segundo as investigações, o advogado utilizava as prerrogativas da profissão para entrar na unidade prisional sem levantar suspeitas. Os smartwatches eram escondidos na sala da OAB dentro do complexo penitenciário. Depois disso, presos que tinham autorização para trabalhar internamente recolhiam os aparelhos e faziam a distribuição para outros detentos.
Os relógios inteligentes eram utilizados como meio de comunicação ilegal dentro do presídio. Com acesso a chamadas, aplicativos e mensagens, os detentos conseguiam manter contato com pessoas fora da unidade prisional, mesmo estando recolhidos nas celas.
A investigação aponta que pelo menos cinco aparelhos teriam sido introduzidos no complexo de forma clandestina. Os materiais apreendidos durante a operação serão submetidos à perícia da Polícia Científica.
Suspeita de ligação com facção criminosa
Além da entrada dos dispositivos, o Ministério Público suspeita que o advogado e uma sócia atuavam como espécie de ponte entre integrantes de uma organização criminosa. A dupla seria responsável por transmitir recados e manter a comunicação entre membros da facção que estavam presos e comparsas em liberdade.
Outro foco da investigação é a atuação de um policial militar. Conforme os indícios reunidos até agora, ele teria acessado sistemas de segurança pública para obter e repassar informações sigilosas ao grupo investigado.
Casos semelhantes já haviam sido registrados
A entrada de relógios inteligentes em unidades prisionais de Santa Catarina já havia sido identificada em outras ocasiões. Em novembro de 2024, a Operação Corrosão investigou um esquema de agentes terceirizados que facilitavam a entrada de celulares e smartwatches na Penitenciária de Joinville. Na ocasião, oito pessoas foram presas.
Em fevereiro deste ano, um detento chegou a oferecer R$ 20 mil a um policial penal para conseguir levar smartwatches ao Presídio Regional de Joinville durante uma saída para consulta odontológica. O servidor recusou a proposta.
As investigações da Operação Cavalo de Tróia seguem sob sigilo e ainda buscam identificar outros possíveis envolvidos no esquema.
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