IBGE aponta crise na saúde mental de adolescentes
Levantamento nacional revela que 30% dos estudantes sofrem com tristeza
Reprodução / Internet Um levantamento inédito da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revela dados alarmantes sobre o bem-estar emocional de estudantes entre 13 e 17 anos no país. O estudo, que consultou quase 120 mil alunos de instituições públicas e privadas, aponta que três em cada dez adolescentes se sentem tristes de forma frequente ou constante.
Indicadores de sofrimento emocional
O cenário descrito pelos pesquisadores mostra que a instabilidade emocional é uma realidade para grande parte da juventude. Cerca de 42,9% dos estudantes relataram episódios constantes de irritação, nervosismo ou mau humor. Ainda mais grave é o dado que revela que 18,5% dos jovens acreditam que a vida não vale a pena, evidenciando um profundo sentimento de desamparo.
A autolesão também aparece como um ponto de extrema atenção. De acordo com o IBGE, aproximadamente 32% dos entrevistados admitiram já ter sentido vontade de se machucar de propósito. O levantamento destaca que o suporte institucional ainda é insuficiente, já que menos da metade das escolas brasileiras oferece atendimento psicológico aos seus alunos.
Vulnerabilidade feminina em destaque
O recorte por gênero demonstra que as meninas são as mais afetadas por transtornos emocionais. Enquanto 16,7% dos meninos relatam tristeza profunda, o índice salta para 41% entre o público feminino. A vontade de cometer autolesão também é significativamente maior entre elas, atingindo 43,4%, contra 20,5% dos meninos.
Além das questões internas, o ambiente externo contribui para o quadro negativo. A pesquisa aponta que 40% dos adolescentes sofreram bullying em ambiente escolar, sendo a aparência física o principal motivo das agressões. No âmbito familiar, 20% dos jovens afirmaram ter sofrido agressão física por parte de responsáveis no último ano, e um terço sente que não possui a compreensão dos pais sobre seus problemas.
Violência sexual e redes de apoio
Pela primeira vez, a pesquisa incluiu dados sobre violência sexual, revelando que 18,5% dos estudantes já passaram por situações de contato físico ou exposição indesejada. Mais uma vez, as meninas são as maiores vítimas, com relatos que dobram a estatística masculina. Diante da gravidade dos dados, especialistas reforçam a necessidade urgente de políticas públicas integradas entre educação e saúde para reverter a tendência de deterioração da saúde mental na adolescência.
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