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Joinville,26/04/2026

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IBGE aponta 391 etnias e 295 línguas indígenas no Brasil

Números revelam crescimento na diversidade cultural após ajustes na pesquisa


IBGE aponta 391 etnias e 295 línguas indígenas no Brasil

O Brasil abriga uma riqueza cultural impressionante nas comunidades indígenas. São 391 etnias e 295 línguas faladas por esses povos, segundo dados fresquinhos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, divulgados nesta sexta. Esses números saltam em relação ao censo de 2010, quando foram registradas 305 etnias e 274 línguas. A diferença vem de mudanças na metodologia, que permitiram captar com mais precisão essa tapeçaria viva.

Ao todo, 1.694.836 pessoas se declaram indígenas, espalhadas por 4.833 municípios. Elas representam 0,83% dos 203 milhões de habitantes do país. Em 12 anos, o contingente cresceu 88,82%, adicionando quase 900 mil vozes a essa contagem.

As etnias que mais crescem

Cada etnia se define por laços linguísticos, culturais ou sociais profundos. No topo da lista populacional, os tikuna lideram com 74.061 integrantes. Em seguida, vêm os kokama, com 64.327, e os makuxí, somando 53.446. Essas comunidades não param de se expandir, impulsionadas por um censo que ouviu demandas diretas dos povos.

Dos indígenas, 73,08% declararam pertencer a uma etnia só, enquanto 1,43% citaram duas. Cerca de 9,85% não declararam nenhuma, e 13,05% disseram não saber. Comparado a 2010, caiu o percentual de quem não sabia a origem, de 16,41% para os atuais níveis, mas subiu quem optou por não declarar, de 6%.

As alterações no método explicam boa parte do salto: 25 etnias foram desmembradas, oito que antes entravam como "outras das Américas" ganharam status individual, uma nova agrupou duas isoladas do passado, e 73 etnônimos fresquinhos foram adicionados como etnias próprias.



De onde vêm essas vozes

Em 2010, a maioria dos indígenas vivia no campo, com 63,78%. Agora, o jogo virou: 53,97% estão em áreas urbanas, refletindo migrações e transformações sociais. São Paulo lidera como a cidade com mais etnias, 194 no total, seguida de perto por Manaus, com 186, Rio de Janeiro, 176, Brasília, 167, e Salvador, 142. Fora das capitais, Campinas, em São Paulo, registra 96; Santarém, no Pará, 87; e Iranduba, no Amazonas, 77.

Nas terras indígenas, foram mapeadas 335 etnias em 2022, contra 250 em 2010. Fora delas, o número subiu para 373, ante 300 no censo anterior. O Amazonas domina dentro das TIs, com 95 etnias, seguido pelo Pará, 88; Mato Grosso, 79; Rondônia, 69; e Roraima, 62.

Os tikuna, maior etnia, têm 71,13% em terras indígenas. Já os kokama, só 12,89% lá dentro, com a maioria em áreas urbanas urbanas. Os makuxí mantêm 68,31% em TIs, e os guarani kaiowá, quarto lugar com 50.034 pessoas, chegam a 70,46%.

Línguas que resistem e se renovam

O pulo nas línguas também deveu-se a um refinamento na coleta de dados, aliado ao esforço dos próprios indígenas em resgatar ancestrais perdidos e a fluxos migratórios. "Tem situações específicas, além de línguas de outros países que entraram pelo processo de migração. O warao, por exemplo, mal aparecia em 2010, mas a onda venezuelana na última década trouxe um boom dessa população", explica Fernando Damasco, gerente de Territórios Tradicionais e Áreas Protegidas do IBGE.

A tikúna é a mais falada, com 51.978 vozes, 87,69% em terras indígenas. Guarani kaiowá segue com 38.658 falantes, 81,83% em TIs, e guajajara, 29.212, com 90,43%. O nheengatu reina nas cidades, com 13.070 falantes, 41,94% urbanos.

No geral, 474.856 indígenas com dois anos ou mais, ou 29,19% do total, usam línguas nativas em casa. Desses, 78,34% estão em terras indígenas, representando 63,35% de quem vive lá. Fora, 102.855 mantêm o idioma vivo: 68.675 em cidades e 34.180 no interior rural.

Manaus concentra 99 línguas, São Paulo 78, Brasília 61. Fora das capitais, São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, tem 68; Altamira, no Pará, 33; e Iranduba, 31.

Esses números, segundo Marta Antunes, gerente de Povos e Comunidades Tradicionais do IBGE, pavimentam políticas públicas sob medida. "Agora dá para olhar cada povo de perto, ver se tem terra demarcada, se mora na cidade ou no campo, e adaptar as ações à etnia e ao lugar", diz ela. Uma ferramenta essencial para preservar essa herança.

















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