Alimentos com aditivos proibidos nos EUA que ainda chegam às prateleiras brasileiras
Substâncias como eritrosina e o vermelho bordeaux aparecem em rótulos de doces, cerejas em calda e corantes industriais vendidos no país
Reprodução / Internet Relatórios e consultas a embalagens mostram que corantes hoje alvo de restrição nos Estados Unidos continuam presentes em produtos comercializados no Brasil. Entre os nomes mais citados nos ingredientes estão a eritrosina (conhecida como vermelho nº 3) e o vermelho bordeaux, também identificado como amaranto ou E-123. Esses aditivos aparecem em categorias amplas de alimentos: balas de gelatina, confeitos granulados, gelatinas saborizadas, cerejas em calda e corantes prontos para uso na confeitaria industrial e caseira.
Produtos que listam esses corantes
Alguns produtos e insumos que constam em pesquisas de rótulos e lojas especializadas incluem:
- Gelatinas e balas do tipo tubes e tubes morango que trazem eritrosina na lista de ingredientes.
- Balas sortidas e pacotes de gomas fantasia que declaram eritrosina para a tonalidade avermelhada/rosada.
- Misturas de corante softgel ou corante em pó comercializadas para confeiteiros que informam eritrosina e vermelho bordeaux entre os componentes.
- Cerejas em calda de algumas marcas e fornecedores que utilizam vermelho bordeaux (E-123) ou combinação de corantes para obter a coloração viva típica da conserva.
- Além de produtos industrializados prontos ao consumidor final, há corantes comercializados a granel para padarias e confeitarias cujo rótulo indica explicitamente E-123 ou eritrosina.
Por que isso acontece
As diferenças decorrem das avaliações regulatórias realizadas por cada autoridade sanitária. Enquanto a Food and Drug Administration dos Estados Unidos vem sinalizando proibições e restrições para alguns desses corantes, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária adota limites de uso e categorias específicas onde a substância pode ser aplicada. Na prática, isso permite que fabricantes e distribuidores brasileiros continuem usando ou comercializando formulações que em outros mercados já foram retiradas ou substituídas.
Impactos à saúde e preocupação pública
Pesquisas científicas e documentos regulatórios mencionam potenciais riscos associados ao consumo excessivo de determinados corantes artificiais, incluindo reações alérgicas e efeitos comportamentais em crianças. O uso contínuo desses aditivos em alimentos de apelo infantil, como balas e gelatinas coloridas, é fonte de preocupação para especialistas em nutrição e grupos de defesa do consumidor. Essa preocupação tem estimulado pedidos de reformulação por parte de consumidores e ações voluntárias de algumas empresas.
Movimento de reformulação e alternativas
Em mercados externos houve pressão para substituir corantes sintéticos por pigmentos naturais à base de frutas, raízes e vegetais. No Brasil a movimentação existe, porém em ritmo e escala variáveis: algumas marcas já anunciam versões com corantes naturais, mas muitos produtos tradicionais e insumos para confeitaria ainda utilizam as formulações clássicas por custo ou disponibilidade.
O que o consumidor pode fazer
Para reduzir a exposição, especialistas recomendam ler a lista de ingredientes antes da compra, preferir produtos com corantes naturais quando disponíveis e moderar o consumo de alimentos ultraprocessados voltados para crianças. Consumidores também podem cobrar transparência das marcas e encaminhar dúvidas às agências reguladoras quando identificarem rótulos que causem preocupação.
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